segunda-feira, 26 de julho de 2010

Poema intraduzível

Saudade da família, saudade da doçura.
Saudade das broncas, saudade da ternura.
Saudade das “brigas” pela melhor pizzaria.
Saudade do conforto e da eterna companhia.

Saudade dos medos, da insegurança.
Saudade de entender que não sou mais criança.
Saudade dos churrascos da época da escola.
Saudade de morrer de medo de jogar bola.

Saudade de ser, estar, ter e haver.
Saudade de quando eu aprendia pra valer.
Saudade do sucesso, saudade do louvor.
Saudade de ter tido um futuro promissor.

Saudade da mudança, da novidade.
Saudade da empolgação de uma nova cidade.
Saudade da amizade mais “por acaso” da história.
Saudade desse amigo, que sempre está na memória.

Saudade da “facul”, das sessões YouTube.
Saudade da turma, daquele nosso “clube”.
Saudade da vida que sempre pedi a Deus.
Saudade de ter tido amigos como os meus.

Saudade de quem me salvava do turbilhão.
Saudade de você, irmãzinha do coração!
Saudade dos cochichos com a luz apagada.
Saudade do amigo, saudade da risada.

Saudade do meu sorriso, daquela simetria.
Saudade de quem sabe como fui um dia.
Saudade de não saber o que era sofrimento.
Saudade de tudo, antes daquele momento.

Saudade de cada dia ser um aprendizado.
Saudade de sempre ter a solução ao lado.
Saudade do sucesso e fracasso compartilhados.
Saudade de quase nunca trabalhar calado.

Saudade de quem passou, saudade de quem ficou.
Saudade até mesmo de quem nunca me amou.
Saudade da união, sentir a amizade pura.
Saudade do recente, quanto será que dura?

Saudade de deitar, dormir abraçadinho.
Saudade de ter um colo, saudade do carinho.
Saudade, sim, de uma pessoa querida.
Saudade de amar como já amei na vida.

Saudade de querer que as coisas boas se concentrem.
Saudade de acreditar que tudo dura para sempre...

(Luiz Gustavo Cristino - 25/7/2010)

sábado, 17 de julho de 2010

O fim do começo

Pensei muito antes de publicar este texto. Afinal, ele fala sobre outras pessoas, expõe coisas que vivemos durante alguns meses. Depois, concluí que tão pouca gente lê isto aqui... e que essas pessoas merecem essa homenagem. Gostem ou não.

Madrugada de sexta-feira, 9/7/2010

Oficialmente, hoje foi o último dia do programa de treinamento. Trabalharemos no fim de semana, mas em escalas. Os 12 juntos, não mais. Isso me causou uma súbita vontade de ressuscitar o agonizante blog, companheiro de momentos de desabafo.

Não sei nem por onde começar a dizer tudo o que aprendi nesses quatro meses e meio. Ao contrário dos meus colegas trainees, entrei com zero de experiência em jornalismo. Pauta, pra mim, era o assunto das reuniões nas empresas. Fonte eram livros e artigos acadêmicos, de onde eu tirava tabelas, dados, variáveis e constantes. Matéria? Tudo o que ocupa lugar no espaço e tem massa. Por algum motivo, alheio ao meu conhecimento, fui selecionado para compor essa turma de feras no jornal que sempre considerei o melhor do país.

Era uma baita “responsa”, assustador no começo, e eu tinha muito medo de não dar conta desse treinamento. E eu ainda não sei se daria, não fosse essa gente absurdamente legal que, de repente, passaram a ser companheiros essenciais à minha rotina e à minha vida. Afinal, não bastassem as dez horas diárias --no mínimo-- juntos no jornal, a maioria morava no mesmo prédio que eu, a um corredor ou alguns degraus de distância. Ou seja, era café da manhã, almoço, jantar e, às vezes, um barzinho no fim do dia, porque ninguém é de ferro.

As pessoas que seguem foram os responsáveis por transformar um engenheiro quadrado, quieto, conservador e conformado, em um jornalista crítico, questionador e aberto. Se algum louco, um dia, vir meu trabalho e gostar, é bom saber que devo tudo a eles. O texto está longo, mas, acreditem ou não, fiz um exercício monstruoso de fechamento antes de chegar a esta versão.


O que vai ser de mim sem os abraços de bom dia da Aline? Companheira essencial na primeira escala, e em diversos momentos nesses quatro meses. Foi com ela que consegui compartilhar minha alegria de ter recebido o CD novo da Aguilera depois de três semanas de espera! \o/ Passei um bom tempo sem saber como mostrar o quanto ela é querida. No final, me senti bem, pois acredito que consegui (se não tiver conseguido, tentarei mais uma vez agora: Aline, adoro você, viu?). Espero ter muitas oportunidades de retribuir o carinho!

Anna Virginia, com seus cinco (ou quatro, mas que valem por cinco) sobrenomes, é um caso à parte. A primeira jornalista a me mandar um tuíte, pré-semana de palestras. Tudo bem que nem nos falamos durante a semana em si, mas eu era anti-social naquela época. No treinamento, tudo mudou, e Anna Virginia e eu, por trás de diferenças superficiais, fomos percebendo que nem eu sou tão “conservador” assim e nem ela é tão “moderninha” quanto se pensa. A Anna me complementa, de uma forma sem precedentes e isso aconteceu bem rápido. E agora, com quem compartilharei as previsões bizarras do polvo sobre minha vida pessoal?

A Carol já é especial pra mim desde a semana de palestras, pois foi a primeira pessoa que me fez sentir-me bem entre jornalistas (acho que nem ela sabe disso). Fiquei absurdamente feliz quando vi que seríamos colegas e, de lá pra cá, essa relação foi se intensificando exponencialmente. É incrível como ela sempre sabe os momentos em que mais preciso de um carinho, de um abraço. A esta altura, se ela não souber, também, eu faço questão de pedir! =D Espero ser, um dia, tão bom profissional quanto ela. Mas, bem acima disso, espero ser sempre digno de todo o carinho e amizade que ela sempre me deu.

Sempre vi o Elton como um cara bastante maduro, que entende a vida como eu jamais conseguiria. As perguntas que fazia durante o treinamento geralmente eram as que mais me acrescentavam aprendizado e informação. E, com o tempo, percebi que é uma diversão estar do lado dele --a Anna Virginia que o diga (aliás, será que eles continuarão lado a lado na editoria em que vão trabalhar, juntos, na próxima semana?) Sério, quando eu crescer, quero ser que nem o Elton! Mas não tem jeito: ele sempre vai ser o cara que assistiu a um jogo do Brasil comigo no... bom, quem sabe, sabe.

Grande Hiroshi, meu vizinho da direita! Poxa, eu ainda queria que rolassem mais umas dez versões da memorabilia (...NOT!), se isso prolongasse nosso tempo de convivência. De uns tempos pra cá, o Hiroshi vinha sendo um grande companheiro de matérias. E, coitado, era o único que tinha de esperar minha lerdeza tanto no almoço como na janta. Esta, aliás, rendeu alguns dos meus melhores papos e desabafos durante o treinamento. Excelente profissional e excelente pessoa, além de bastante conservad... digo, prudente, espero levá-lo como amigo pra vida, antes de qualquer outra coisa. E que o fim do treinamento não seja o fim das jantas na vovó (atualização: foi mesmo o fim!)!

Filipe, ou FiMotta, é de quem eu tenho mais pena entre todos os trainees. Afinal, meu conterrâneo mineiro teve que me aguentar dividindo um quarto de hotel durante quatro meses. Fico feliz porque ele sobreviveu e, incrivelmente, ainda cogita a possibilidade de continuar morando comigo depois do treinamento. Como bons mineiros, ambos falamos pouco, mas cada conversa sempre vale a pena. Agradeço por toda a paciência, pela companhia, pelos bons papos e momentos de confiança.

A maioria das minhas primeiras vezes foi com a Grazi (com exceção, provavelmente, dessa que pode ter passado pela sua cabeça, leitor maldoso!). A primeira experiência procurando pauta nas ruas, a primeira matéria extra-treinamento, a descoberta de que não dar conta de ler o jornal inteiro todos os dias não me faria um mau profissional... Fora as milhares de vezes em que, cheio de dúvidas, enchi a paciência dela, que sempre foi extremamente solícita --uma querida!-- comigo. E os conselhos sobre a vida, sempre sensatos, que muito me fizeram refletir. Muito bem, Graziela! Olhar para o meu lado esquerdo e não vê-la, daqui pra frente, vai ser sempre difícil, sempre uma perda. Por favor, guarde o calendário. Tudo o que escrevi lá pode até ser bobo, mas é muito especial!

Até hoje não sei se decifrei direito o Gui. Não só porque é um cínico, cínico, cínico, mas também porque, no início, sempre o achei o trainee mais diferente de mim e o mais parecido comigo, tudo junto e misturado. Dessa antítese que ronda nossa convivência, surgiu uma amizade que me surpreendeu pela intensidade e pela importância. Pequenas grandes conversas, pequenos grandes apoios e pequenas grandes demonstrações de confiança me fazem não querer nunca perder esse cara de vista. E, sorry, mas tudo o que eu não quero, não deixo acontecer, mesmo!

Nosso querido Marcos é aquele cara que leva alegria pra qualquer lugar em que está. Coincidência ou não, foi meu parceiro na pauta mais divertida que já fiz na vida, pelo menos por enquanto (Luigi! hohooo!). De sessões de violão a sessões de videogame, passando por sessões de chope no Prazeres do Sul, não tem como não gostar de estar perto dele. É um cara que admiro pelo carisma, pela capacidade de cativar as pessoas, e pela força que carrega dentro de si. É um grande guerreiro, e sem dúvida vai sair um grande vencedor. Mas o que importa mesmo é o grande amigo que é e, no que depender de mim, será sempre. Have a rotten day!!!

Um dia, no treinamento, de repente, uma barrinha de chocolate napolitano pululou na minha mesa. Brinquei com o Marcos: “Cara, quem deixou isso aqui sabe como me fazer feliz!”. Adivinhem quem tinha sido? Sim, ela! Nááááádia! Aliás, sabem quem me levou pra balada com músicas mais legais que eu já fui na vida? Sim, também foi ela, que, aliás, como eu, entrou advogada e saiu jornalista (tá, eu não entrei advogado, mas vocês entenderam, né?). A Nádia sempre tem algo interessante a dizer. Algo que, ou vai te divertir bastante, ou vai te fazer pensar sobre coisas da vida. Se você quer melhorar o seu dia, recomendo sempre uma boa conversa com ela. Aliás, recomendo a amizade maravilhosa que ela pode oferecer. É a pululante mais querida do Brasil!

Coincidência ou não, faltou a Thais por último. E talvez não seja por acaso. Os outros dez que me desculpem --e eu sei que desculparão--, mas a Tata é a que mais está deixando saudade. “São só dois meses!”, imagino ela dizendo. Dois longos meses! É muito tempo sem aquele carinho que ela oferece despretensiosamente, sem querer nada em troca. Sem aquele sorrisão lindo! Mas, principalmente, sem as consultas de língua portuguesa! =D A Tata quebrou um tabu que sempre existiu, o das pessoas começarem a me chamar de Guto, e fez isso com uma baita naturalidade. Mal sabia ela o quanto gosto de ser chamado por apelido, o quanto isso deu aquele colorido especial para o treinamento. Com certeza, ela terá um sucesso enorme lá em Brasília. Mas o que desejo mesmo é um sucesso muito maior aqui em São Paulo, pra que possamos nos ver bastante!

Saibam, leitores, que quem mexer com um desses onze, mexe também comigo! #FãdaXuxaFeelings

Mas os agradecimentos não acabam por aqui. Devo o profissional que sou hoje à Ana Estela, que, além de sempre ter um ótimo conselho na manga, nos momentos mais decisivos acreditou mais em mim do que eu mesmo, e ao Fábio, que me deu aquela força cada vez que precisei, acompanhou e me ensinou, do zero, meus primeiros passos, ainda engatinhando como jornalista. Sem me esquecer da minha ex-colega de escola em BH e eterna madrinha, Cris, que acabou virando não apenas minha amiga, como também amiga de toda a 49ª turma.

Hoje, uma semana depois de ter escrito tudo o que você leu (ou não) acima, tive uma daquelas pequenas grandes conversas com o meu amigo Gui. Concluí que tenho dificuldade, sim, em desapegar. Mas não é simplesmente isso. Difícil, mesmo, é desapegar dessa turma maravilhosa, especial, que representou muito mais pra mim do que qualquer um deles é capaz de imaginar. Enfim, espero que eu nunca realmente me desapegue. E que eles nunca se esqueçam de tudo o que passamos juntos, porque eu nunca vou me esquecer. A todos, não sei mais o que dizer além de: MUITO OBRIGADO!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Em Evidência - Aprendiz 7 Universitário

Blog voltando com uma bela sessão Em Evidência (que eu acho a mais legal de fazer). Levando em conta o quanto gosto de O Aprendiz, eu não poderia deixar de prestigiar (ou não) o programa após sua estreia, na última quinta-feira. Hoje, vai ao ar o segundo episódio do reality, que é o foco deste Em Evidência.



 
A estreia foi muito aguardada por todos, principalmente pela troca de apresentador. Sai Roberto Justus, entra João Dória Júnior. Assim, teoricamente, o público se ampliaria, já que aos tradicionais fãs do programa somariam-se admiradores de João Dória e a troca de apresentador repercutiu bastante na mídia, atraindo atenções para a estreia. Mas, aparentemente, não foi o que aconteceu. A estreia amargou os 7 pontos de média (índice BEM menor que as edições anteriores, que costumavam dar dois dígitos) e a maioria dos pontos fortes do programa foram retirados em nome do inovação que vem sendo cultuada pela produção em função da troca de apresentador.

Não há palavra que define melhor o primeiro episódio que “apatia”. O mal foi geral: apresentador, conselheiro, participantes, ninguém chamou muito a atenção, ninguém demonstrou personalidade e muito menos foi capaz de causar admiração por parte dos telespectadores.

Ao contrário da maioria, gostei bastante da nova abertura (tirando o fato de que a abertura foi veiculada após 52 minutos de programa). Achei dinâmica e com uma nova roupagem interessante. Mesmo a mudança na música tema do reality foi bem-vinda pra mim. A nova batida representa melhor o tom mais jovem que o programa adquiriu após a aplicação do tema universitário. Houve muitas reclamações em relação à ausência de áudio das falas dos participantes ao cumprimentar Dória, o que considero um absurdo, pois nenhuma abertura que se prezasse manteria tais áudios.

O mesmo vale para a edição. Na contramão das opiniões de fãs, achei boa, dinâmica e correta. Até foi capaz de enganar o espectador em relação à equipe que venceu (embora, depois que se assiste à sala de reuniões, fique claríssima a superioridade da vencedora). Acho importante a capacidade de surpreender, que era raríssima nas edições anteriores.



 
João Dória Jr., por enquanto, está muito verde como apresentador. Foi bastante robótico e claramente seguiu um script. Faltou carisma e personalidade. Embora o formato do programa tenha sido claramente mudado em função de sua filosofia de trabalho, sua postura não refletiu essa personalidade.

O conselheiro David Barioni embarca no mesmo caminho. Extremamente sem graça, recheou o programa com frases feitas e lições básicas até para o ensino fundamental, com pouca associação prática à tarefa executada pelos candidatos. Seu grande momento no programa foi a indicação da demissão, que demonstrou opinião firme e personalidade. Por enquanto, Barioni ficou na promessa, o que é bom, poderia ter sido bem pior.

Já Cristiana Arcangeli roubou a cena durante o programa. Com personalidade e interação forte com os aprendizes, Cristiana foi muito mais chefe e muito mais presente que o próprio João Dória. É verdade que exagerou um pouco, foi meio espalhafatosa demais nas entradas (na comunidade oficial do Aprendiz, o pessoal comentou mais sobre o botox da conselheira do que das coisas que eram ditas por ela), mas foi uma grata surpresa à falta de graça total da estreia do programa.

A maioria absoluta dos participantes ainda não mostrou a que veio. Sem dúvida, todos os apreciadores do programa devem agradecer de joelhos a Aimée, que foi extremamente polêmica, já que demonstrou dificuldade para lidar com as pessoas, insubordinação e arrogância, mas também teve atitude e iniciativa para expor boas idéias e fazer o projeto acontecer. Foi o grande destaque do primeiro episódio, e esperemos que ela continue por muito tempo no programa, ainda. Gabriela também demonstrou que entrou no programa como quem entra numa guerra, e sem dúvidas irá render. O terceiro e último cricri da estreia foi Conrado, que, por enquanto, é uma promessa, mas nada garantido.

Entre os bons de lábia, vejo Caio como o grande destaque. O rapaz conseguiu que um erro gigantesco cometido por ele passasse quase completamente despercebido por todos, com exceção do conselheiro David Barioni. Já os destaques negativos foram para Aílton e Rodrigo Spohr, que apresentaram desempenhos fraquíssimos, mas, cada um por um motivo, livraram-se da demissão.

A sala de reuniões, clímax das edições anteriores, foi a grande decepção da noite. Os participantes, que não sabiam ainda que perfil agradaria a João Dória, optaram por serem apáticos e deixarem a agressividade de lado. Desta forma, foi fácil prever o caminho pelo qual percorreria a discussão e qual seria a decisão final de Dória, que finalmente deixou clara a importância de se fazer uma boa defesa na sala, o que pode ajudar a melhorar o nível do programa a partir do episódio de hoje. Já a demissão, tristemente, foi emitida em um tom que mais parecia que Dória convidava a participante para um cafezinho, e não que a expulsava do programa. Decepcionante!

O Aprendiz 7 – Universitário foi um balde de água fria em todos os que aguardavam ansiosamente sua estreia e a prometida inovação. Com enorme escassez de figuras carismáticas, a dificuldade em manter o público ao longo de sua exibição ficou clara com a informação da queda contínua do ibope da Record. O número de pessoas que manteve a TV na emissora ao fim da atração era menor que a metade do número de pessoas que assistia ao seu início. No fim, o terrível programa A Praça é Nossa abocanhou a vice-liderança, enquanto O Aprendiz amargou um terceiro lugar bem disputado com a quarta colocada, a TV Bandeirantes. A tendência de todas as temporadas é cativar mais público à medida que a final se aproxima. Espera-se, portanto uma melhora de qualidade ao longo da temporada. Por enquanto, a incrível inovação, que, de acordo com a produção da Record, era tão necessária ao formato, não passou de uma promessa, e o fantasma de Roberto Justus continua assombrando o programa, com comparações constantes e saudosistas de fãs. Resta a eles torcer para que isso não dure muito tempo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Game (s?) da Semana - Pokémon HeartGold/SoulSilver

E eis que surge uma análise 2 em 1, afinal, as diferenças são mínimas entre...

Pokémon HeartGold / SoulSilver
Velhinhos, mas ainda com corpinho de 16!



É óbvio que eu não deixaria de fora este que é o lançamento do mês no mundo dos games. Pokémon HeartGold/SoulSilver (a partir de agora referidos como HG/SS) são uma verdadeira viagem no tempo para quem, como eu, é dos saudosos tempos do Game Boy.

Um remake pede uma retrospectiva



Os jogos são nada mais, nada menos, que versões recauchutadas de Pokémon Gold/Silver (G/S), que é considerada por muitos (eu incluído) a melhor geração dos monstrinhos já existente. Não é à toa que foi a que mais vendeu. Lembro-me que, nas férias de janeiro de 2000, baixei uma versão japonesa traduzida para português, na ansiedade de pôr as mãos no game. “Você quer uma Chicolita?” perguntava o professor quando eu examinava uma das três pokébolas iniciais. Eu aceitei. O restante dos nomes dos Pokémon estavam todos em japonês ainda, e a maioria dos golpes e textos também. Por isso, logo desisti e fiquei desesperadamente aguardando o lançamento ocidental. Obviamente, nada de baixar nesse momento: comprei Pokémon Silver original para Game Boy Color.

Foi o momento em que surgiu a diferença de gêneros, todos os Pokémons passaram a ter espécimes macho e fêmea, não apenas o Nidoran. Com isso, veio a possibilidade de acasalar os bichos, que ficaram muito felizes, claro. E nós também. Afinal, com os filhotes, eu pude fazer um time com todas as variações do Eevee, o que não podia acontecer em Red/Blue. Foi em G/S, também, que os monstrinhos ganharam sua forma definitiva, que mantêm até hoje. Em Red/Blue, a maioria era bem feiosinha e a maioria não tinha cores de preenchimento, apenas contornos.


Gold/Silver é, até hoje, a única geração que permitiu comunicação interna entre duas regiões: a então recém-criada Johto e a já conhecida Kanto, terra de Misty, Brock, Sabrina e companhia limitada. Eles, aliás, marcaram presença e continuaram como líderes de ginásio, dando a G/S o status de única geração entre as 4 existentes que possui mais de 8 insígnias. São 16 no total: as 8 de Johto e as 8 clássicas de Kanto, que foram eliminadas nas gerações posteriores e nunca mais voltaram. Até agora, claro.

Gold/Silver nos trouxe o simpático Marill (que, antes da versão ocidental, muitos por aqui chamavam de Pikablu, acreditando que ele seria o sucessor do insubstituível Pikachu), além de Aipom, Nosepass, Gligar, Swinub/Piloswine, Yanma, Sneasel, Murkrow e Misdreavus que, 6 anos depois, ganharam evoluções em Diamond/Pearl (já estava na hora!). Os bebês também foram introduzidos aqui. E são muitos: Pichu, versão neném do Pikachu, Cleffa, a Clefairy recém-nascida, Igglybuff, uma versão menos rechonchuda do Jigglypuff, e os sapecas Elekid (o segundo Pokémon dessa geração a ser revelado pela mídia, na época), Magby e Smoochum (versões infantis de Electabuzz, Magmar e Jynx, respectivamente). Também foi aqui que surgiu o Togepi saído do ovo, sucesso absoluto no anime.

Os produtores perceberam que o atributo “Special” era muito fodão, principalmente com o golpe Amnesia usado para aumentá-lo, o que garantia, ao mesmo tempo, dano e defesa fortíssimos. Assim, dividiram esse atributo em Special Attack e Special Defense, o que faz muito mais sentido, e Amnesia passou a aumentar apenas a Special Defense. Justo.

Os itens são um caso à parte. Os Pokémon, pela primeira vez, podia segurar itens durante as batalhas, o que passou a fazer uma enorme diferença na estratégia do jogo e deu espaço às Berries, frutinhas com efeitos diversos que garantiram eternamente seu espaço nas gerações seguintes. Com isso, agora havia itens que alguns bichos teriam que segurar durante trocas para evoluírem e, obviamente, novas evoluções surgiram: Golbat agora ficada ainda mais fodão como Crobat, Poliwhirl podia virar o sapinho Politoad, Seadra se transformava no poderoso dragão marinho Kindgra e Onyx inovou com sua evolução, o Steelix. Ah, Steelix... o grande símbolo dos Pokémon do tipo metálico, que até então não existiam, tendo debutado juntamente aos do tipo noturno (com Umbreon, a nova evolução do Eevee além do psíquico Espeon, no posto de principal representante noturno) em G/S.

Um último detalhe: a geração Gold/Silver, como todas as outras, ganhou um terceiro game, o Crystal. Nele, estreou a possibilidade de se escolher entre um personagem garoto ou uma menina, algo que perdura tamanho o sucesso que fez.

Conclusão: toda a mecânica de jogo que conhecemos hoje foi criada naquela época, nasceu com Gold/Silver. Isso posto, não resta dúvidas de que um remake é, no mínimo, uma homenagem merecida.

Velho jogo, novo visual

Absolutamente todos os elementos que descrevi voltam triunfalmente em HG/SS, mas muito mais belos e atraentes. A diferença mais gritante entre qualquer outro jogo da série: seu primeiro Pokémon agora te segue durante todo o game. E quando eu digo primeiro, não estou falando de Chikorita. Qualquer um que esteja posicionado na frente de batalha vai andar livre, leve e solto atrás de você, à la Pikachu mala do desenho. É uma bobagem, mas garanto que você vai adorar.



Os personagens marcam bastante. O menino principalmente, já que seu boné tem as cores de Gold/Silver, mas a menina também é muito bem desenhada (só não entendo por que todas as meninas treinadoras precisam ter um chapéu bizarro!). Como de costume desde a geração Ruby/Sapphire, se você escolhe um, o outro se torna um NPC (non-playable character, em linguagem de RPG, um personagem controlado pelo computador que te ajuda às vezes).

O rival agora está mais bem feito, e tem mais cara de mau também, enquanto os líderes de ginásio ganharam uma baita reformulada e estão com um visual bem mais moderno. Os ginásios, por sinal, também são um caso à parte: ganharam um visual incrível, com elementos interativos. O primeiro, por exemplo, de Falkner, o líder voador, tem uma sacada surpreendente e perfeita! Mas é só o começo.

Os mini-games parecem divertidos, e cheiram a multiplayer (que infelizmente não vou poder usar =( ). Todos os modos de batalha anterior do Battle Frontier estão de volta, e novos foram inventados, com variações tímidas e não tão surpreendentes assim. A batalha entre 4 jogadores, ao vivo, por wireless, é a mais bem-vinda delas.

Todos os Pokémon de Kanto e Johto podem ser pegos aqui, relembrando a saudosa época em que era possível completar a pokéagenda tendo apenas um amigo com a versão que é par da sua, sem precisar de comunicação com games de gerações passadas (ok, vamos excluir os 3 pássaros lendários e Mewtwo, e ainda assim não há comparação). Mas agora temos Hoenn e Sinnoh, as duas gerações mais recentes, para estragar essa festa. Mas não é que muitos deles até existem no jogo? Isso graças, principalmente, a uma nova invenção, um golaço da Nintendo, chamado Pokéwalker.

Não ao poké-sedentarismo


O Pokéwalker merecia um post só pra ele. É um aparelhinho com as cores de uma pokébola, para o qual você pode transferir um bichinho de HG/SS. Quem já teve um daqueles bichinhos virtuais que viraram febre em 1997 vai reconhecê-lo rapidamente no idêntico poké-acessório, que nada mais é do que um podômetro, que não poda ninguém, e sim conta os passos dados pelo jogador quando está no seu bolso.

O esquema é o seguinte: você e seu bicho vão, felizes, passear em algum dos cenários escolhidos. A cada 20 passos, você gera 1 Watt, com o qual pode usar os dispositivos existentes no periférico: o Pokéradar e a Dowsing Machine, que gastam uma quantidade de energia.

O Pokéradar é o de sempre: você o usa e aparece um bicho selvagem pra te encarar e ser capturado. Um porém: cada uso gasta 10 W, um gasto absurdo de energia. Precisamos de um Pokéradar que valorize mais a sustentabilidade! Ecológico ou não, ele permite que você batalhe (em um estilo EXTREMAMENTE mais simples que o do game comum – os únicos comandos são atacar, desviar e jogar pokébola) e capture o bicho. Mas cuidado para não ser nocauteado, já que 10 Watts serão perdidos nesse caso.

A grande sacada é a possibilidade de capturar Pokémons que você nunca imaginou que um dia te acompanhariam durante toda a aventura pelas insígnias. Eu, por exemplo, peguei um Kangaskhan, um Smoochum, uma Staryu e um Dratini antes de conquistar sequer uma insígnia no jogo normal, e esses são bichos que tipicamente só aparecem nas partes finais do game.

Já a Dowsing Machine é mais bizarrinha: você gasta 3 Watts para ficar chafurdando umas graminhas à procura de itens – até mesmo TMs podem ser achados nelas. Mas, das 6 graminhas, você só pode fuçar em 2. Caso não ache nada, é Watt perdido à toa.

Você pode – e deve! – carregar o Pokéwalker com você para onde for, assim os Watts surgem com mais facilidade. E, sem uma boa caminhada, nada de Watts, e nada de aproveitar as vantagens do acessório.

Por fim, a bomba: para destravar todas as rotas no Pokéwalker (cada rota contém bichos específicos dela), você também precisará de Watts, e Watts NÃO UTILIZADOS no Pokéradar ou na Dowsing Machine. Quando você transfere os Watts para seu banco de Watts no cartucho, eles nunca mais poderão ser usados, mas se acumulam para destravar novas rotas. A última rota – é hora do susto – é destravada com 100 mil Watts! Ou seja, 2 milhões de passos. Só pra se ter uma idéia, em minha rotina diária, sem carro, ando aproximadamente 8 mil passos atualmente (porque moro perto do trabalho). Conclusão: precisaria de cerca de 250 dias – mais de meio ano! – para que eu destrave todas as rotas. Sim, a Nintendo definitivamente decidiu dar um basta no sedentarismo de seus jogadores! Claro que há maneiras de tapear o Pokéwalker para que ele pense que você está andando, mas são todas tão chatas e cansativas que, no fim, você se rende e põe as canelas pra se mexerem. E haja paciência!

Experiência nova em folha

Pokémon HeartGold/Soulsilver é um par de remakes que soam como novos. Com ótimos gráficos, inovações que pipocam a todo momento e todos os velhos elementos que consagraram os games originais, o novo lançamento da Nintendo está longe de ser mais do mesmo, e tem tudo para agradar a todos. A mim, já agradou bastante. Se eu pudesse, não estaria parado enquanto escrevia esta análise. Mas infelizmente não dá. Então, o melhor que tenho a fazer é ir andando... mesmo!!!



ENREDO – 10
Três anos depois da consagração de Ash (ou Red, como queiram) como grande campeão da liga, um novo moleque decide que ser mais foda ainda, e inicia sua jornada. Não é nada grandioso, mas, pensando em Pokémon, é, até hoje, o melhor enredo da série!

GRÁFICOS – 9
Algumas inovações, como o novo design das escadas dentro de torres e cavernas, superam até mesmo Diamond/Pearl/Platinum. O visual está levemente mais bem cuidados que os recentes games da quarta geração. Temos o direito até a um pouquinho de 3D na abertura! Tá bom, tá bom tá bom... assim, boooooom, num tá, mas tá bom. Estamos precisando mesmo é de um game 3D de verdade. Ouça-nos, Nintendo!

SOM – 6
O que salva aqui são as velhas músicas clássicas de 10 anos atrás, todas com cara de novas em folha. Incrível. Mas os 4 pontos perdidos na nota estão, merecidamente, ligados a um único fato que já foi muito discutido: os grunhidos dos bichos. Toda a tecnologia para se fazer vozes decentes já está completamente disponível, e é muito fácil. Mas os barulhos que eles fazem ainda são OS MESMOS que faziam no avô do DS, nosso querido Game Boy, um fusquinha perto da Ferrari que é o DS. Porra, Nintendo! Faz direito esses sons logo!!!

JOGABILIDADE – 10
A grande inovação aqui fica por conta do novo menu. A barrinha branca lateral com as opções já era. O menu agora é todo “digitalizado” na tela da Pokégear, e você pode acessá-lo tanto com os botões quanto com a caneta Stylus. E, finalmente, não é mais necessário ficar segurando o B o tempo todo pra correr! Há um botão na Pokégear que ativa/desativa a correria, e se mantém fixo, como um Caps Lock nos tênis do personagem. Extremamente bem bolado! Fora o uso da vara de pescar e da bicicleta, que foram simplificados pelo mesmo sistema. O resto é mais do mesmo, o que de forma alguma é ruim.

DESAFIO - 8
Sinceramente, o que aumentou a nota aqui foi o desafio monstruoso que é andar milhares de quilômetros com o Pokéwalker em posse para destravar tudo. Assustador! Com exceção dos líderes de ginásio, que são momentos que sempre valem a pena, as batalhas quase sempre serão ridiculamente fáceis, e algumas poucas, destaque para a Elite 4, que sempre aparece com bichos pelo menos 10 níveis acima dos seus, serão irritantes de tão impossíveis. Ou seja, o de sempre, também. Ponto pro Pokéwalker!

DIVERSÃO
SINGLE PLAYER – 9
O Pokéwalker, mais uma vez, ajuda muito aqui. De resto, nada de diferente. Pokémon definitivamente não é um game pensado pra se jogar sozinho, mas a mágica é que sozinho ele já se garante.
MULTIPLAYER – 9
O fato de precisar de outro DS e outro cartucho pra jogar com alguém é um saco. Mas, de novo, não há novidade aqui. Pelo menos a internet facilitou um pouco esse problema.
REPLAY – 7
Ninguém em sã consciência vai querer deletar todos os monstrinhos bem criados e desenvolvidos para começar um novo jogo. Mas quem tem acesso a outro DS com outro cartucho Pokémon, seja Diamond, Pearl, Platinum, HeartGold ou SoulSilver, para armazenar os bichos, pode se divertir passando por tudo de novo com outros pokés diferentes da primeira aventura, que, por si, já é uma senhora aventura.

NOTA FINAL – 91
Pokémon HeartGold/SoulSilver é um remake extremamente pedido e esperado pelos fãs. E a Nintendo honrou o vovô Game Boy com esta versão de DS que não deixa nada a desejar em relação à primeira, e ainda acrescenta muita coisa. A cereja do bolo, claro, é o Pokéwalker, que mostra que a Big N não está de brincadeira quando afirma que é norteada pela ideia de inovação.



terça-feira, 16 de março de 2010

Em Evidência - Paralisia facial

Esta Em Evidência vai ser mais particular, já que hoje minha paralisia está completando um aninho! Por isso, decidi fazer um “post de serviço”, mas bem enxuto porque o tempo ta curtinho. Não fiz nenhuma pesquisa especial pra este post, mas, um ano atrás, estava desesperado procurando saber tudo sobre a doença, e é a informação de que me lembro que estou compartilhando aqui.

Existem 2 tipos de paralisia facial: a central (que geralmente atinge a face simetricamente) e a periférica (que ocorre apenas em um dos lados – no meu caso, o lado esquerdo). A primeira é, via de regra, resultado de alguma pancada ou derrame, enquanto a segunda é idiopática, ou seja, nem sempre é possível determinar com clareza sua causa. Meu exemplo ilustra bem essa situação: no dia anterior, saí de uma faringite, passei de um ambiente muito frio pra um muito quente e estava bastante estressado por estar procurando emprego. Como as três principais causas da doença são choque térmico, estresse e doença virótica/bacteriana, fica impossível dizer a causa exata, ou até mesmo se foi uma combinação entre elas.

A paralisia facial periférica, ou paralisia de Bell, é um mal que atinge 1 em casa 3.000 pessoas no mundo, aproximadamente. Consiste em um inchaço no nervo facial que, sem espaço, fica comprimido pelo crânio, perdendo a bainha de mielina (responsável pela condução de impulsos nervosos) e, consequentemente, tornando-se afuncional. Como temos um nervo facial para cada lado do rosto, a paralisia de um lado não afeta o outro. A maioria dos casos se resolve em um tempo aproximado de 1 mês, mas os casos mais graves podem durar de 1 a 2 anos. Cerca de 30% dos casos apresentam sequelas da doença após a recuperação.


O primeiro dia é muito complicado. Você acorda percebendo que sua movimentação do rosto está diferente, estranha. Quando se olha no espelho, nota uma leve diferença, pensa que talvez seja um princípio de terçol ou algo parecido. Ao longo do dia, os movimentos vão ficando mais difíceis, até que em algum momento você simplesmente não consegue mais picar o olho e constata a completa paralisia de um dos lados do rosto. Isso foi o que ocorreu comigo, mas há relatos de pessoas que já acordaram completamente paralisadas. Isso pode ocorrer com qualquer um e não há, atualmente, como prever quem está mais ou menos propenso à doença, se é que existe essa diferença.

É impossível não se desesperar nesse momento. Teria eu tido um derrame à noite? Será que vou ficar bem? Será um problema simples, ou um tumor no cérebro? Será que vou precisar de operação? Será que vou morrer? Tudo isso se passa pela cabeça da gente e, em um primeiro momento, você precisa de conforto, de um abraço da sua família, amigos, enfim, de quem você ame realmente. Passado esse momento, você percebe que precisa se informar. Digita, então, a expressão “paralisia facial” entre aspas, no Google (mesmo sem saber que isso realmente é o nome de uma doença). É então que tudo fica claro e que você percebe que precisa procurar um neurologista.

Além da fedorenta (mas inofensiva) vitamina B12, será receitado um corticóide, que te fará engordar uns 10 quilos ou mais. Fisioterapia durante todos os dias é essencial. No início, não há problema, mas depois você vai vendo o trabalho que dá ficar por conta de exercícios diários (inclusive pelo tempo que isso toma). Com o tempo, você vai aprendendo a fazer os exercícios sozinho, o que não é o ideal, mas quebra o galho pra quem não tem tempo ou dinheiro pra manter um tratamento muito longo.

Os primeiros movimentos recuperados são inesquecíveis. É emocionante você ver que, ainda que leve, voltou a ter a capacidade de esboçar um sorriso. Foi, até hoje, um dos momentos mais emocionantes da minha vida.

O problema é que a recuperação dos movimentos, depois de tanto tempo descoordenados, traz com ela algo muito sério chamado sincinesia (sin = junto, cinesia = movimento), ou fenômeno de Marcos Gunn, nome dado ao problema quando acontece isoladamente da paralisia. Ou seja, você vai tentar abrir sua boca, e o olho fecha, você vai tentar mexer a sobrancelha e a boca vai junto, etc. É um problema sério, que precisa ser resolvido, pois é uma das grandes seqüelas deixadas pela doença.


Até o momento, recuperei aproximadamente 70% dos movimentos do rosto que havia perdido, e estou lutando contra a sincinesia. Dizer que acredito que vá ficar sem sequelas, depois de 1 ano, não seria muito sincero, mas gostaria muito de tentar alcançar isso.

O mais importante durante o tratamento de paralisia facial é não deixar isso virar o centro da sua vida. É muito difícil, e, sem dúvida, o doente irá optar por algum tempo de reclusão, que tende a durar enquanto os primeiros movimentos não aparecem. Algo completamente natural do ser humano. Mas, assim que possível, é necessário viver, sair, conhecer pessoas, desligar-se e se sentir uma pessoa normal. Quanto mais se exercita a mente, mais o tempo vai tornando isso algo natural. O equilíbrio psicológico do paciente não é apenas proporcional à sua qualidade de vida, mas também à evolução do tratamento.

Enfim, talvez eu tenha me exposto mais que devia aqui, mas quero que o maior número de pessoas possível esteja prevenido quanto à doença, para que elas não precisem sentir o que eu senti no primeiro dia. Também quero, no fundo, que o máximo de pessoas possível me deseje sorte e mande boas energias, mas sempre sabendo que sou muito grato pelo que conquistei em relação a isso e pela diferença entre meu rosto de 1 ano atrás para o atual. Agradeço a Deus e ao apoio de todos os que me amam e dos que querem meu bem! E rumo ao sucesso, à vida que nos espera! É vida que segue.

domingo, 14 de março de 2010

Sessão Youtube - Improvável

Bom, galera, já estava mais que na hora de eu falar sobre o IMPROVÁVEL (que não é Improváveis!) aqui! Afinal, os caras foram um fenômeno nos últimos 2 anos, e vêm se mantendo até então.

Daniel Nascimento, Elídio Sanna e Anderson Bizzocchi, a Companhia Barbixas de Humor, são os criadores do Improvável e, sem querer querendo, acabaram sendo os grandes impulsionadores da improvisação teatral no Brasil. Influenciados pelo excelente programa gringo Whose Line Is It Anyway?, os Barbixas criaram seu próprio espetáculo de improvisação. Sem grandes pretensões, decidiram gravar vídeos da primeira temporada do espetáculo, em 2008, para divulgação. Hoje, seus vídeos têm mais de 120 milhões de acessos no Youtube, número que já permite afirmar que os atores já fizeram história. História que, aliás, não só atingiu todos os veículos que permitem o gênero – teatro, internet e TV – como também reviveu o teatro nos hábitos de muitos jovens brasileiros.

Na primeira temporada do Improvável, o MC (Mestre de Cerimônias), ou seja, aquele que comandava a trupe em seus jogos, era, na maioria dos espetáculos, Rafinha Bastos. Em 2009, esse papel se alternou bastante, sendo exercido principalmente por Márcio Ballas, Bruno Motta e pelo próprio Daniel Nascimento, entre outros.

Os convidados são um caso à parte. São dois deles por espetáculo, e já passaram pelo Improvável os integrantes do CQC Rafinha Bastos, Oscar Filho e Marco Luque, os atores da peça Jogando no Quintal (também improvisada) Márcio Ballas e Marco Gonçalves e, pra enriquecer os espetáculos com um toque feminino, a humorista Marcela Leal e as integrantes do grupo As Olívias, Cristiane Wersom e Marianna Armellini. Muitos outros também estiveram presentes, e eu teria que gastar muitas linhas aqui citando todos. Jogos como o Troca, o Transforma, o Só Perguntas e o Cenas Improváveis se tornaram clássicos.

O sucesso foi suficiente pra garantir aos Barbixas em 2009 um contrato com a MTV, no programa Quinta Categoria, na companhia de Marcos Mion, excelente apresentador e péssimo improvisador.

Mas, em 2010, chegaram as férias do CQC, da TV Bandeirantes e, com elas, a necessidade de algo para cultivar sua fiel audiência. Qual não foi minha felicidade quando me deparei com o programa É Tudo Improviso, que reunia os Barbixas e seus convidados do Jogando no Quintal e d’As Olívias no mesmo programa de TV, com o mesmo formato do Improvável. Nesta segunda, com a muito bem-vinda volta do CQC, muitos fãs desse pessoal ficarão órfãos do novo programa, eu totalmente incluído. Aguardemos que a Band bata o martelo e inicie logo os preparativos para que os Barbixas e seus companheiros tornem-se membros da grade fixa da emissora.

Apesar da expectativa, é bom deixar claro que nada substitui o Improvável no teatro, que já estou sentindo falta de ir assistir (ano passado, pude prestigiá-lo em Belo Horizonte, com Bruno Motta e Márcio Ballas, e em uma incrível performance com Marcela Leal e Cristiane Wersom em Indaiatuba). Dia 8 de abril de 2010 começa a terceira temporada do espetáculo, no teatro TUCA, em Sampa. Por isso, separei os vídeos mais interessantes que encontrei, sempre com convidados, para que vocês possam conferir e, quem sabe, ficar com vontade de ir ao teatro também. Vale muito a pena! (mais vídeos em www.improvavel.com.br )

Anderson Bizzocchi e Marco Gonçalves – Frases (1ª Temporada. MC: Márcio Ballas)

Muito bom, a performance do Marco é ímpar nesse vídeo.



Elídio Sanna, Márcio Ballas e Rafinha Bastos – Abecedário (1ª Temporada. MC: Daniel Nascimento)

O melhor jogo do abecedário ever! Confiram!



Anderson Bizzocchi, Cristiane Wersom, Daniel Nascimento e Elídio Sanna – Só Perguntas (1ª Temporada. MC: Rafinha Bastos)

Cris detona nesse jogo, em que eles só podem fazer perguntas na feira.



Marianna Armellini, Elídio Sanna e Anderson Bizzocchi – Conto de Fadas Improvável (2ª Temporada. MC: Márcio Ballas).

Rimando, os 3 encenam o conto “A menina que tinha medo do sol.” E é uma biografia de alguém muito famosa!



Anderson Bizzocchi e Cristiane Wersom – 5 contra 2 (2ª Temporada. MC: Márcio Ballas)

O mais recente video publicado, em que Andy e Cris têm que representar 5 personagens na mesma sequência. Os 2 estão hilários!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Em Evidência - Briga de ex-marido e ex-mulher

Bom, galera, eis que surge mais uma seção “Em evidência”, que, obviamente, vai falar do Oscar que ocorreu nesse domingo. O tempo ta curto, então vou só discorrer rapidamente, mesmo porque Inês é morta. Óbvio que errei bem mais que acertei, mas isso não mexe comigo, acho até graça, afinal todo ano é assim. O buraco é mais embaixo.

Na segunda e na terça, li várias coisas do tipo “Na briga do Oscar 2010, o cinema venceu!”. Acho uma enorme bobagem pensar assim. É um pensamento retrógrado de quem se recusa a enxergar o óbvio: o tempo passa, as coisas mudam e a tecnologia se desenvolve. O simples fato de Avatar se ancorar na tecnologia não é suficiente pra desmerecer o filme, jamais! É engraçado eu defender Avatar aqui, já que, ao menos entre os 10 indicados, eu mesmo não gostaria que o filme vencesse, mas por motivos completamente diferentes dos alegados por muitos críticos do filme. O fato de eu achar Avatar raso como um pires não implica, de forma alguma, uma torcida por Guerra ao Terror, ufanista até a última linha dos créditos. E o melhor é que, no meio de tanta defesa fervorosa da vitória do insosso Guerra ao Terror, eis que o comentário mais lúcido vem do louco do José Simão: “Guerra ao Terror venceu porque americano só enxerga o próprio umbigo!”. É fato isso. Não vê quem não quer. E ficamos todos aqui embaixo, no terceiro mundo, olhando pra cima e idolatrando o heroísmo dos soldados americanos no Iraque (lembrando que, por mais que eles queiram distorcer o cenário, a guerra do Iraque não teve nada de guerra).

Em nome da vitória da produção independente sobre os blockbusters, muitos resolveram abraçar uma causa que não existe. Avatar tem seus defeitos, mas não cometeu nenhum pecado mortal. Filmes piores que Avatar já venceram o Oscar de melhor filme, é fato! Temos aí Guerra ao Terror pra comprovar, mas quando escrevi a frase eu estava pensando em anos anteriores.

E eis que Kathryn Bigelow entrou pra história: a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Direção. Ah ta. Que legal. E o melhor foi chamarem a Barbra Streisand pra entregar o Oscar. Será que alguém esperava outra coisa? “The time has come!”, diz Barbra, ao abrir o envelope. Pena que pouca gente realmente vai achar memorável. Como eu vi tuitarem esses dias, “tava todo mundo torcendo pra mulher ganhar só pelo babado da coisa”. É bem por aí mesmo. Bigelow ganhou o Oscar... mas será que levou mesmo? Será que daqui a 10 anos vão dizer “A primeira diretora a ganhar um Oscar ganhou por um trabalho fora do comum, realmente!”? Nada contra ela, desejo todo o sucesso e espero que venham muitos trabalhos pela frente, se Deus quiser melhores que Guerra ao Terror.

Uns vão dizer “Mas Avatar já tem um prêmio, o de maior bilheteria da história do cinema!” Perdoe-me, José Wilker, mas isso não é prêmio! É simplesmente um fato, o povo foi ao cinema ver o filme. Um prêmio poderia ser consequência desse fato, mas ele, isoladamente, não é prêmio nenhum. Não passa disso: um simples fato.

Nem vou entrar na superioridade de Meryl Streep em comparação a Sandra Bullock. Todo o resto ficou pequeno, foi ofuscado pelo resultado final. I wonder why...

O mais triste é constatar que o fanatismo por Guerra ao Terror não tem nada a ver com Guerra ao Terror. Na verdade, surgiu, na reta final do Oscar, um novo movimento: o anti-avatarismo. Ou seja: a comemoração não é da vitória do filme de guerra, e sim, da derrota de Avatar. Aí a gente fica pensando: o que representa melhor a decadência pela qual o cinema vem passando: o fato de pessoas acreditarem que Guerra ao Terror foi o melhor filme de 2009 ou o fato de pensarem que qualquer coisa que ganhe ta bom desde que Avatar não vença? Eu sinceramente nem sei avaliar. E nem preciso. Jogo a toalha. O gosto da vitória de Guerra ao Terror desceu bem mais amargo que uma possível vitória de Avatar.

Venceu a luta norte-americana contra o terrorismo! Venceu a invasão! Venceu. Aplausos...

domingo, 7 de março de 2010

Apostas Oscar 2010 (3 - Final) - Prêmios supremos

E, na última hora, ainda há tempo para o fim dos meus palpites. Preparem-se, porque agora eu escrevi bastante! hehehe. Seguem:

Melhor Ator Coadjuvante
-Matt Damon (Invictus)
-Woody Harrelson (O Mensageiro)
-Stanley Tucci (Um Olhar do Paraíso)
-Christopher Plummer ("The Last Station")
-Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)



Não conferi o trabalho de Woody Harrelson, Stanley Tucci ou Christopher Plummer. Deste último, eu gostaria de ter conferido, se The Last Station tivesse dado algum sinal de vida por aqui, afinal, é o único que faz frente ao favoritíssimo Christoph Waltz. Mas, sejamos justos e sinceros, o trabalho de Waltz foi tão bom que não dá pra imaginar alguém superando. É, sem dúvida, digno do Oscar, é só o que se pensa durante o filme inteiro, quando ele rouba totalmente a cena do carimbado Brad Pitt. Waltz fez um personagem odiável por natureza, mas conseguiu fazer com que a gente amasse odiá-lo, e chega até a ser chato pensar que o insosso papel de Pitt possa triunfar sobre ele.

Melhor Atriz Coadjuvante
-Penelope Cruz (Nine)
-Vera Farmiga (Amor Sem Escalas)
-Maggie Gyllenhaal (Coração Louco)
-Anna Kendrick (Amor Sem Escalas)
-Mo’Nique (Preciosa)



Tenho a satisfação de dizer que pude ver o trabalho das 5 candidatas. Gostei do trabalho da Maggie Gyllenhaal, mereceu a indicação. Penelope Cruz e Vera Farmiga não conseguem realmente mostrar por que estão nessa lista durante seus filmes. Acho inconcebível que a Academia tenha se esquecido da performance aclamada de Juliane Moore (já passou da hora de ela ganhar um Oscar!) em O Direito de Amar. É uma lista meio fria este ano, salvo por duas exceções: Anna Kendrick, de Amor Sem Escalas, que não tem nenhuma cena incrível, mas ganha pelo conjunto da obra, em especial pelo bom preparo ao desnudar uma personagem que parecia completamente diferente à primeira vista. Quem não se impressiona com a cena em que ela demite virtualmente um senhor de idade? Sentimos toda a sua angústia, toda a sua vontade de consolá-lo, de se desmoronar ali, sendo reprimida pela necessidade de fazer um bom trabalho e impressionar ao chefe. Então, retiro o que disse: essa cena consagra, sim, a interpretação de Kendrick como coadjuvante. Mas quem realmente apresentou todos os elementos necessários à estatueta foi Mo’Nique, de Preciosa. Primeiro, porque passamos o filme inteiro odiando o monstro que ela interpreta. Mas esse é só o primeiro passo. Em sua última cena, Mo’Nique (contracenando com uma Mariah Carey irreconhecível até mesmo por ter tido um bom desempenho no filme) nos mostra que aquele monstro também é um ser humano, que também sente, chora e viveu toda uma vida que a transformou no que é. E o mais interessante: isso de forma alguma é uma tentativa clichê de perdão. Nós não a perdoamos, e Mo’Nique não tem a pretensão de que o façamos. Mas a profundidade de sua interpretação, definitivamente, faz com que torçamos por ela, que vencerá tranquilamente.

Melhor Ator
-Jeff Bridges (Coração Louco)
-George Clooney (Amor Sem Escalas)
-Colin Firth (O Direito de Amar)
-Morgan Freeman (Invictus)
-Jeremy Renner (Guerra ao Terror)


Antes de qualquer coisa, tenho que ressaltar minha admiração por Morgan Freeman, que interpretou Nelson Mandela em Invictus. Mandela, quando indagado sobre que ator deveria interpretá-lo quando fizessem um filme sobre ele, não pensou pra responder “Morgan Freeman”. Em 2009, seu desejo se realizou. Freeman representa muito na indústria cinematográfica mundial, não se enganem. E sua interpretação aqui faz jus a tudo o que ele representa. Mas, infelizmente, não é ele o nome do Oscar 2010. Jeremy Renner, protagonista de Guerra ao Terror, fez um trabalho digno do papel que interpretava, mas não tem cacife pra concorrer com qualquer outro que está nessa lista. George Clooney, que eu nunca achei grande coisa e até hoje não me conformo com a estatueta que levou, consegue justificar sua indicação nos 15 minutos finais de Amor Sem Escalas, mas não mais que isso, não há comparação possível com os 3 gigantes que concorrem com ele este ano. O grande favorito é Jeff Bridges, que realmente manda muito bem em sua interpretação de um cantor de sucesso em seu momento de queda, em que todos são fãs do seu trabalho, exceto quem paga o salário. Não faz feio, e justifica os prêmios que ganhou. Mas quem realmente me chamou a atenção nesta lista foi Colin Firth, o único que eu não vi em ação, por motivos alheios à minha vontade. Mas só o trailer me faz ficar impressionado com a emoção que Firth passa ao interpretar um homem que perdeu a razão pra continuar vivendo. Seu rosto e sua expressão facial, em todas as cenas que vi são de uma profundidade que impressiona. Ano passado, lembro-me muito bem da badalação em cima de Mickey Rourke, de O Lutador. Eu não achava que ele merecia mais que Sean Penn, com sua incrível interpretação em Milk, e resolvi nadar contra a maré em Penn como vencedor. A Academia me deixou muito feliz ano passado. Este ano, não tenho material suficiente pra apostar tão cegamente em Colin Firth. Por isso, mantenho meu palpite em Jeff Bridges, mas minha torcida está inteiramente pra Firth.

Melhor Atriz
-Sandra Bullock (Um Sonho Possível)
-Helen Mirren ("The Last Station")
-Carey Mulligan (Educação)
-Gaboury Sidibe (Preciosa)
-Meryl Streep (Julie & Julia)



Uma categoria muito interessante este ano. Começo por Helen Mirren, cujo trabalho não pude conferir. Ela é uma das atrizes mais queridas pela Academia e, sem dúvidas, tem lá seus votantes este ano por conta disso. Mas também não será ela o nome a ser chamado ao palco desta vez. Gaboury Sidibe, nossa querida Precious, fez um trabalho incrível, emocionou e impressionou. Não dá pra dizer que não merecia o Oscar, porque merecia. Mas este ano também não será dela. Por fim, a jovem Carey Mulligan interpretou muito bem a estudante Jenny, seduzida por um homem mais velho, encontrou um mundo do qual não conseguia mais sair, e por ele fez uma escolha arriscada: abandonou sua “Educação” e teve que lidar com todas as conseqüências disso. Mulligan conduz muito bem o filme, e honra a lista das indicadas – em que, aliás, todas as 5 merecem estar, o que me deixa muito satisfeito. Mas vamos à briga real, entre Sandra Bullock e Meryl Streep. Streep já figura entre as indicadas tão frequentemente que a impressão que eu tenho é de que a Academia diz “ah, vamos deixar pro ano que vem, este ano votemos na fulana, porque nem tão cedo ela vai aparecer aqui de novo”. E é assim que Streep, com uma estatueta de coadjuvante e outra de principal (a última vencida em 1986), vem perdendo o prêmio ano após ano. Este ano, perderá para a infinitamente inferior Sandra Bullock, que fez um bom trabalho em Um Sonho Possível, mas nem de longe tem o mesmo talento que Meryl. Detalhe: Bullock foi, ontem, agraciada com o Framboesa de Ouro como pior atriz de 2009, por “All About Steve”. Com um belíssimo fair-play, subiu ao palco, agradeceu pelo prêmio e fez muitas piadas sobre o filme e sobre si mesma. É essa postura, o conjunto da obra e o fato de Sandra Bullock ter sido o maior nome feminino das bilheterias em 2009, que lhe darão o Oscar, mesmo indicada pela primeira vez.

Melhor Filme
-Amor Sem Escalas
-Avatar
-Bastardos Inglórios
-Distrito 9
-Educação
-Guerra ao Terror
-Um Homem Sério
-Preciosa
-Um Sonho Possível
-Up! - Altas Aventuras

O grande momento, que este ano não será tão grande assim. Afinal, a briga está entre Avatar e Guerra ao Terror, dois filmes que, nem de longe, fazem jus ao histórico de vencedores do Oscar. Tanto ano passado quanto este ano, temos pelo menos uns 3 nomes infinitamente superiores a ambos, sendo que ano passado os superiores eram realmente os favoritos, e o melhor realmente venceu. Além de tudo, temos 5 candidatos extras, que entraram pelo novo sistema de cotas da Academia: Up!, na cota da animação, Educação, na cota do filme inglês, Um Homem Sério, na cota da comédia, Um Sonho Possível, na cota dos filmes que inesperadamente estouraram em bilheteria nos EUA, e Distrito 9, na cota do “o que raios esse filme ta fazendo aí?”. Katherine Bigelow teve, na verdade, uma grande sacada, trabalhando em um filme que exalta totalmente os EUA, insuflando a batalha contra o terrorismo, que deixou uma ferida até hoje aberta no país. É daí que vem o favoritismo de seu filme, e não por qualquer sinal de superioridade. Avatar, por outro lado, é um filme que em muitos momentos se transforma em animação, completamente ancorado na tecnologia, e com um roteiro tão raso quanto um pires da sua casa. Nessa brincadeira, o genial Bastardos Inglórios, o emocionante Preciosa e o bem bolado Amor Sem Escalas acabaram sendo esquecidos, sabe-se lá porquê. Minha torcida é, e sempre foi, de Bastardos, e espero ficar feliz com o resultado. Entretanto, entre mortos e feridos, fico com Avatar como palpite oficial, que ao menos revolucionou e re-impulsionou a indústria cinematográfica e, por isso, merece reconhecimento.

Conclusão:
Ator coadjuvante: Christoph Waltz
Atriz coadjuvante: Mo’Nique
Ator: Jeff Bridges (torcida-monstro pra Colin Firth)
Atriz: Sandra Bullock (torcida-mega-monstro pra Meryl Streep)
Filme: Avatar (torcida pra Bastardos Inglórios)

Agora, tá na hora de conferir os resultados! A festa tá começando! FUI!!!

Apostas Oscar 2010 (2) - Prêmios importantes

Eis a segunda parte das minhas apostas, saindo do forno. Fora as categorias técnicas, que são interessantíssimas, mas ninguém dá tanta bola assim, segue agora um grupo de prêmios considerados bastante importantes, os prêmios supremos pra animação e filme estrangeiro, e as categorias que consagram aqueles que estão por trás do que assistimos, garantindo a qualidade do filme. Ei-los:

Melhor Filme Estrangeiro
-"Ajami" (Ajami - Israel)
-"El Secreto de Sus Ojos" (O Segredo de Seus Olhos - Argentina)
-"La Teta Asustada" (A Teta Assustada - Peru)
-"Un Prophète" (Um Profeta - França)
-"Das Weisse Band" (A Fita Branca - Alemanha)



A Fita Branca é o grande favorito, e deve levar, já que, inclusive, não foi indicado só nesta categoria. Vale tanto pra estrangeiro quanto pra animação: um filme indicado em várias categorias já está com um pezinho lá no prêmio antes mesmo da votação. Menção honrosa ao argentino O Segredo de Seus Olhos, aclamado pela crítica.

Melhor Animação
-Coraline e o Mundo Secreto
-O Fantástico Sr. Raposo
-A Princesa e o Sapo
-The Secret of Kells
-Up! - Altas Aventuras



Este ano é de Up!, e não é pra menos. A animação tem 5 indicações, incluindo melhor filme. Junta-se, portanto, ao clássico A Bela e a Fera como únicas animações já indicadas a melhor filme, sendo que A Bela e a Fera tem o mérito de estar apenas entre 5 indicados. Mas é importante levar em conta que, em 1992 (ano de A Bela e a Fera), não havia a categoria de animação, que provavelmente foi criada justamente em função dessa indicação. Caso houvesse, é possível que A Bela e a Fera teria migrado pra essa categoria, e não figurar entre os 5 filmes. Desta forma, acredito que, mesmo a indicação de A Bela e a Fera sendo mais marcante na história do Oscar, ambos têm seu mérito. Por fim, A Bela e a Fera ainda é recordista, na frente de Up!, em número de indicações: 6 a 5 (e não existia animação na época!). Outra coisa legal de se mencionar é um fato inédito ocorrido: 5 animações indicadas, contra 3 nos anos anteriores, o que significa que o mercado está crescendo, e o número de animações de qualidade cresce com ele. Mas chega de passado! Tirando "The Secret of Kells", sobre o qual não sei nada, posso dizer que todas as animações são excelentes e merecem a indicação, mas Up! leva esse prêmio merecidamente: é um desenho sem limite de faixa etária de público, aproveitado por adultos e crianças, bem feito e original.

Melhor Montagem
-Avatar
-Bastardos Inglórios
-Distrito 9
-Guerra ao Terror
-Preciosa

Melhor Montagem, também conhecida como Melhor Edição, é uma categoria difícil de palpitar este ano. Digo e repito: não gostei da montagem de Avatar, poderia ter sido mais condensado. Sei que essa decisão não cabe especificamente aos responsáveis pela montagem, mas principalmente à direção, mas o ônus acaba recaindo neles de qualquer forma (mesmo porque, no caso, o Cameron também é da equipe de montagem). Preciosa também não tem lá excelência nesse quesito, acho carta fora do baralho. Pra mim, a briga tem que ser entre Guerra ao Terror e Bastardos. Torço por Bastardos, mas vou palpitar que Guerra ao Terror leva.

Melhor Roteiro Adaptado
-Amor Sem Escalas
-Distrito 9
-Educação
-In the Loop
-Preciosa



Educação é um bom filme, mas sabe aquela sensação de que falta alguma coisa? Essa coisa, pra mim, é o clímax, que eu achei bem fraquinho. Ponto contra o roteiro. Preciosa tem chances, sim, é um bom roteiro, mas Amor Sem Escalas é incrível nesse aspecto. Não há cenas desnecessárias, não há buracos, há detalhes importantes e interessantes. Sinceramente, independentemente do roteiro ser bom, acho que levaria o Oscar pra garantir que o filme não saísse de mãos vazias, mas, neste caso, vai ser um prêmio muito merecido.

Melhor Roteiro Original
-Bastardos Inglórios
-Guerra ao Terror
-Um Homem Sério
-O Mensageiro
-Up! - Altas Aventuras



Vai ser um desperdício Mark Boal levar por Guerra ao Terror, depois dessa magnífica versão de Tarantino pro fim da 2ª Guerra. A briga está entre os 2, e eu realmente espero que Bastardos leve. Filmes com soldados em campo de batalha estão aí aos montes. Bastardos Inglórios, só tem um.

Melhor Direção
-Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)
-James Cameron (Avatar)
-Lee Daniels (Preciosa)
-Jason Reitman (Amor Sem Escalas)
-Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)



Mais uma vez, injustiça correndo forte risco de ser cometida, com Bigelow sendo a favorita ao prêmio. Não gosto e não quero isso. Acho um feminismo infundado essa história de “a primeira mulher a ganhar o Oscar de direção”. O nome James Cameron, sem qualquer ator ou atriz de peso em seu filme, acabou de revolucionar a indústria cinematográfica, bateu o recorde de bilheteria e consolidou, no mundo inteiro, o cinema 3D e o Imax. Em nome do norte-americanismo idiota presente em Guerra ao Terror e do feminismo ao finalmente premiarem uma mulher na categoria, vão jogar isso fora? Que porcaria, hein? Enfim, correndo o risco de ser visto como iludido, vou manter minha esperança no bom senso da academia, e palpitar em James Cameron.

Conclusão:
Filme Estrangeiro: A Fita Branca
Animação: Up! - Altas Aventuras
Montagem: Guerra ao Terror (Torcida: Bastardos Inglórios)
Roteiro Adaptado: Amor Sem Escalas
Roteiro Original: Bastardos Inglórios
Direção: James Cameron, por Avatar
 
À noite, o último bloco, o mais legal, claro: os atores (porque ainda falta ver as atuações da Sandra Bullock e do Jeff Bridges), e também Melhor Filme. Aguardem!

sábado, 6 de março de 2010

Apostas Oscar 2010 - Categorias Técnicas



E aí galera!!!!!!!

Depois de muito tempo sem atualizar o blog (cujo nome não faz mais sentido), eis que surge uma atualização! O Oscar tá chegando e ainda não dei minhas opiniões e palpites, por isso é melhor correr!
Então, vamos à primeira batelada, o bloco dos X!

Melhor Documentário de Curta-metragem
-China's Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province
-The Last Campaign of Governor Booth Gardner
-The Last Truck: Closing of a GM Plant
-Music by Prudence
-Rabbit à la Berlin

Não consegui encontrar informação alguma sobre qualquer desses documentários! Por isso, vou fazer uni-duni-tê aqui e escolher um! E vai ser "Rabbit à la Berlin", porque o nome é muito legal! Ok, me chamem de noob em documentários curta-metragem, whatever!

Melhor Curta-metragem de Ficção
-The Door
-Instead of Abracadabra
-Kavi
-Miracle Fish
-The New Tenants

"Miracle Fish" parece ser o mais badalado dos 5, ou melhor, o menos sem graça, porque não vi nenhum com repercussão real na mídia especializada. Sei lá, aposto nele, mas sem muita convicção.

Melhor Documentário
-Burma VJ
-The Cove
-Food, Inc.
-The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers
-Which Way Home

Levando em conta que "The Cove" está sendo extremamente comentado e elogiado pela crítica, voto nele aqui também. É o máximo de informação que eu tenho, então vou utilizá-la! heheheh.

Melhor curta de animação
-French Roast
-Granny O'Grimm's Sleeping Beauty
-The Lady and the Reaper (La Dama y la Muerte)
-Logorama
-A Matter of Loaf and Death

Depois que eu descobri que "A Matter of Loaf and Death" é uma aventura de Wallace e Gromit, que há poucos anos levaram o Oscar de animação, não consigo pensar que eles não levarão também este aqui. Minha aposta é neles, com menção honrosa à versão de "A Bela Adormecida" contada pela vovó O'Grimm, que parece ser ótima!

Conclusão Bloco X:
Documentário curta: "Rabbit à la Berlin"
Curta: "Miracle Fish"
Documentário: "The Cove"
Curta de animação: "Wallace & Gromit - A Matter of Load and Death"

Ok, passada essa parte mais chatinha, vamos ao bloco som, que este ano, como eu já disse, é um dos mais interessantes:

Melhor Edição de Som
-Avatar
-Bastardos Inglórios
-Guerra ao Terror
-Star Trek
-Up! - Altas Aventuras

A briga aqui está entre Avatar e Guerra ao Terror. Engraçado, a sensação que eu tenho é de que o tempo foi passando depois das indicações e o favoritismo de Avatar foi diminuindo cada vez mais em todas as categorias. Fenômeno estranho! Apesar disso, mantenho meu palpite pra Avatar.

Melhor Mixagem de Som
-Avatar
-Bastardos Inglórios
-Guerra ao Terror
-Star Trek
-Transformers: A Vingança dos Derrotados

Vale exatamente a mesma coisa aqui, já que a mixagem e a edição, inclusive, foram comandados pela mesma pessoa nos 2 filmes e, consequentemente, com a mesma maestria. Novamente, fico com Avatar.

Melhor Trilha Sonora Original
-Avatar
-O Fantástico Sr. Raposo
-Guerra ao Terror
-Sherlock Holmes
-Up! - Altas Aventuras

Caramba, eu gosto muito do trabalho do Michael Giacchino, mas to achando difícil ele levar por Up!. Gostei da indicação de “O Fantástico Sr. Raposo”, que é um excelente filme que, infelizmente, vai passar em branco, mas ao menos foi lembrado em uma categoria nada óbvia. Não gosto das trilhas de Avatar e Guerra ao Terror, mas enfim, é capaz de um dos 2 levar também. Fico na torcida por Sherlock Holmes ou Up!, mas meu palpite vai ficar no Avatar.

Melhor Canção Original
-"Almost There" (A Princesa e o Sapo)
-"Down in New Orleans" (A Princesa e o Sapo)
-"Loin de Paname" (Paris 36)
-"Take It All" (Nine)
-"The Weary Kind" (Coração Louco)

Depois de ouvir todas as canções, vou dizer que não creio em Paris 36 e nem na segunda canção da Princesa e o Sapo, “Down in New Orleans”. As outras três, pra mim, teriam chance de ganhar. Torço fortemente por Nine, cujo ponto alto são as canções, mas não tiro da minha cabeça que Coração Louco leva. Em tempo: achei um ABSURDO gigante eles retirarem os números musicais do Oscar! Além de ser um desprestígio à arte, a categoria musical vai ficar muito prejudicada com isso! Mas enfim, vira e mexe eles arrumam um jeito de estragar a cerimônia mesmo.

Conclusão do Bloco som:
Edição: Avatar
Mixagem: Avatar
Trilha Sonora: Avatar (torcida forte por Sherlock Holmes ou Up!)
Canção Original: Coração Louco (torcida forte por Nine)

Próximo e último (por enquanto) da lista: o Bloco visual:
 
Melhores Efeitos Visuais
-Avatar
-Distrito 9
-Star Trek

Avatar. Ponto.

Melhor Maquiagem
-Il Divo
-Star Trek
-The Young Victoria

Vou dar meu voto pra Il Divo aqui, que é um filme mais Cult, principalmente porque The Young Victoria já tem um prêmio meio garantido em outra categoria. Sinceramente, duvido muito que Star Trek saia com algum prêmio. Mas, enfim, não descarto nenhuma possibilidade aqui.

Melhor Direção de Arte
-Avatar
-O Mundo Imáginário do Dr. Parnassus
-Nine
-Sherlock Holmes
-The Young Victoria

Nine na cabeça! Poxa, deve ter sido mó trampo fazer esse filme ficar tão... artístico (sério, não tenho outra palavra melhor pra descrever Nine). Merece o Oscar! Avatar é uma ameaça, claro, mas vou ficar com Nine por acreditar no conservadorismo da Academia neste caso.

Melhor Fotografia
-Avatar
-Bastardos inglórios
-A Fita Branca
-Guerra ao Terror
-Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Avatar tem uma fotografia impressionante, belíssima. Mas... é muito artificial. Por isso, acredito que este prêmio vá pra Guerra ao Terror, que também tem uma fotografia excelente, que é um retrato de algo que realmente existe, o que pra mim é um diferencial enorme. Ah, e ponto pra Academia e pela indicação de A Fita Branca aqui!

Melhor Figurino
-Bright Star
-Coco Antes de Chanel
-O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus
-Nine
-The Young Victoria

Até hoje, a única categoria técnica que eu nunca errei foi Figurino. Acho que a Academia é meio previsível aqui, e vou dizer que The Young Victoria vai levar essa. A indicação de Coco Antes de Chanel me chamou a atenção. E Nine é um filme que não pode ser ignorado nesta categoria. Será que desta vez eles surpreendem?

Conclusão Bloco Visual:
Efeitos Visuais: Avatar
Maquiagem: Il Divo
Direção de Arte: Nine
Fotografia: Guerra ao Terror
Figurino: The Young Victoria
 
Por enquanto é só, pessoal! As demais categorias eu considero mais importantes e, por isso, precisam de uma análise mais minuciosa (ainda tem filmes que eu não vi!). Por isso, não vou palpitar a esmo. Até o momento do Oscar, surgirão mais duas atualizações aqui, com 2 blocos de categorias cada uma. Espero que tenha gostado e que gostem do que ainda virá!
 
Fui!