quarta-feira, 5 de outubro de 2011

As novas Panteras

 
Nos anos 70 e 80, “As Panteras” era um seriado de imensa popularidade no Brasil e no mundo, que atravessou gerações, tornou Farrah Fawcett um ícone e rendeu dois longas que contaram com grandes estrelas do cinema (Drew Barrymore, Lucy Liu e Cameron Diaz) nos anos 2000. Agora, a ABC decidiu preparar para a fall season uma nova versão das três agentes secretas que prometia inovar a fórmula e conquistar os EUA.

Para mim, que não sabia absolutamente nada sobre a série antes de assistir ao piloto, “Charlie’s Angels” começou muito bem. Por volta dos 10 minutos, surgiu um plot twist interessantíssimo, que me fez pensar “caramba, tá com tudo essa série!”. Um dos motivos da minha fé era o fato de que Drew Barrymore, uma das panteras da década passada, é produtora-executiva da série.


Eu não poderia estar mais errado. Não vou dar spoilers, mas eu realmente achei que o plot twist poderia render um megavilão para o seriado, uma temporada com roteiro inteligente e cheia de mistério. Mas não. O megavilão foi derrotado em menos de meia hora, em uma trama cheia de buracos e incoerências. As atuações das panteras são pífias e sem carisma.

E o Bosley? A pior parte. Os caras me põem um latino sarado que não faz ideia do que está fazendo para interpretar o braço direito das heroínas. O modo como fizeram isso teve, sim, sua graça, quando a pantera loira chama Bosley e a câmera foca um senhor de meia idade, meio barrigudinho, para depois nos revelar um cara sem camisa abraçado a duas mulheres que estão totalmente na dele. Mas a graça parou aí. O ator que faz o Bosley é tão ruim que anulou qualquer chance de aceitarmos esse Bosley galã.

Optando pelo formato “caso da semana”, os roteiristas acabaram fazendo um trabalho bastante preguiçoso. Nada contra os casos da semana, mas, como eu disse, eles tiveram uma boa ideia, que poderia render uma trama maior durante a temporada, paralela ao caso da semana, mas creio que isso daria muito trabalho e a possibilidade foi descartada. Assim, restaram roteiros rasos e, em boa parte do tempo, bastante chatos. As cenas de ação, em geral, são eletrizantes, mas tão mal encaixadas e com tantas forçações de barra que fica difícil imaginar alguém perdendo mais de 15 horas de vida pra assistir a uma temporada inteira. Nos filmes, vá lá, a gente sabe que vai acabar logo. Mas passar meses a fio acompanhando nada, não dá.



Achei que eu estava sendo duro demais e dei uma chance para “Charlie’s Angels”. Assisti ao segundo episódio, que conseguiu ser ainda pior que o piloto (embora a pantera loira e a pantera negra tenham parecido um pouco menos sem graça do que antes pra mim, mas a pantera... latina, acho, estava mais insossa do que nunca! Bosley, coitado, nem se fala...). Antes que me julguem, vou dizer: não me dei ao trabalho de decorar o nome de ninguém do elenco. Isso porque a série está predestinada ao cancelamento. Vou estranhar se, no terceiro episódio, a audiência, que já havia caído mais de 30%, não despencar ainda mais. Pobre Farrah Fawcett, deve estar se revirando no túmulo.

Enfim, acredito que, para conseguir conquistar o público, uma série precisa trabalhar para arrancar risos, lágrimas ou atiçar nossa curiosidade. As melhores fazem as três coisas. “Charlie’s Angels”, infelizmente, não consegue nenhuma delas. Dificilmente sobreviverá à primeira temporada.

domingo, 25 de setembro de 2011

A vingança de Emily VanCamp

 
O que acontece quando um grupo de indivíduos de caráter duvidoso destrói a pessoa que você mais ama e tira tudo de você no processo? Ainda não sabemos, mas parece que Emily VanCamp chegou com tudo pra nos mostrar em sua nova série. Ao menos, é o que a ABC promete. E, segundo ela, essa não é uma história de perdão.

“Revenge” conta a história de Emily Thorne (VanCamp), que na verdade é Amanda Clarke. Quando garotinha, Amanda morava feliz com seu pai em uma casa de praia, em Hamptons. Até que, um dia, sua casa foi invadida por uns caras que na minha cabeça pareciam ser da Swat (??), e ela, seu pai, e o cãozinho Sam foram retirados de lá à força. Amanda nunca mais viu o pai depois disso.

Aparentemente, tudo fez parte de um esquema planejado por Victoria Grayson (Madeleine Stowe). Pelo piloto, não dá pra entender o porquê, mas o pai de Amanda parece ter sido vítima de um complô que o transformou em um terrorista causador de um atentado que matou 270 pessoas.

A garota, então, ficou sob custódia do governo até os 18 anos, quando foi liberada. Nesse momento, ela é procurada por Nolan Ross (Gabriel Mann), o antigo sócio de seu pai, que acabara de morrer. Nolan explica que as coisas não eram bem como pareciam, e entrega a ela uma caixa, com mensagens do pai e evidências da armadilha em que caiu e quem estava por trás dela. Amanda, então, decide se vingar de um por um.

Ela muda de nome, se insere na comunidade de Hamptons, conhece a todos e inicia sua vingança. No primeiro episódio, a primeira pessoa já é riscada da lista de Emily, e percebemos que ela não está ali de brincadeira.

Boa parte do episódio é contada em flashback. A série, na verdade, começa ambientada na festa de noivado de Emily e Daniel Grayson (Joshua Bowman), cinco meses depois da chegada dela a Hamptons. Um assassinato ocorre na praia durante o evento e, antes de sabermos de quem é o corpo --que todos acreditam ser de Daniel--, a história passa a ser contada na cronologia correta.

Por enquanto, além de uma dose razoável de clichês, há muito mais perguntas do que respostas em “Revenge”. O roteiro parece promissor, mas o piloto não nos deu muita coisa para trabalhar. Confesso que, pra mim, isso soa como uma medida desesperada para impedir que a audiência caia no segundo episódio. Provavelmente funciona --eu mesmo não vou deixar de ver--, mas está longe de garantir algum atestado de qualidade para a série.



O grande revés de “Revenge” reside justamente na nossa (anti-?)heróina. Emily VanCamp fez um excelente trabalho em “Brothers and Sisters”, mas ela não tem 10% do carisma necessário para protagonizar uma série. VanCamp simplesmente não convence quando finge ser boazinha para os habitantes de Hamptons, tampouco quando dá uma de bad girl. Imaginem “Kill Bill” com uma menininha bonitinha e sem graça no lugar da Uma Thurman. “Revenge” é quase isso.

O resultado é uma subversão do papel dos coadjuvantes, que deixam de estar ali para dar mais cores ao universo da série e passam a ofuscar a protagonista, tornando-se mais interessantes e chamando mais a atenção do que ela –e digamos que os coadjuvantes nem são lá tanta coisa assim. Consigo visualizar claramente a personagem de Madeleine Stowe, extremamente carismática, roubando a cena e triunfando sobre VanCamp no fim porque a audiência terá preferido assim. Se “Revenge” fosse uma novela da Glória Perez, certamente esse seria o fim. Como não é, veremos.

Tenho visto na internet várias comparações com “Ringer”, de Sarah Michelle Gellar. E as duas séries realmente têm bastante em comum. Primeiro: belas protagonistas de caráter questionável. Segundo: é difícil imaginar o roteiro de alguma delas rendendo mais de uma temporada. Por fim, uma coisa é fato: as duas séries foram bastante “hypadas” por suas respectivas emissoras, e nenhuma atendeu às expectativas. A CW ainda tem a desculpa de possuir menos espectadores, o que significa um orçamento limitado para os shows. Não é o caso da ABC.

Embarcando um pouco nessa rivalidade, posso dizer que “Revenge”, apesar de ser muitas vezes parecer uma versão mexicana de Kill Bill, inova um pouco mais e é mais intrigante que a primeira. Entretanto, quando focamos nossa análise nas protagonistas, fica claro que Sarah Michelle Gellar não tem razão alguma para se preocupar.

sábado, 24 de setembro de 2011

A nova (?) Two and a half men


 
Quando foi confirmada a presença de Ashton Kutcher como substituto de Charlie Sheen em “Two and a half men”, a primeira coisa que pensei foi: “cara, que sorte desses produtores”.

Não que Ashton Kutcher seja o supra-sumo do mundo das séries, mas o fato é que uma substituição dessas, na altura de uma nona temporada de qualquer show, dá uma cara nova para o programa, e enche o tanque da produção para que ela consiga sobreviver por mais uns anos. A fórmula com Charlie Sheen já estava se esgotando, e um novo personagem é um ganho de fôlego para manter “Two and a half men” por mais dois ou três anos no ar, num cenário pessimista.

Aparentemente, eu não estava errado. Com quase 28 milhões de espectadores, a reestreia da série, com Kutcher no elenco, acabou se tornando o episódio mais visto da história (e olha que “Two and a half men” tem história!). E fez por merecer. O roteiro é criativo, divertido e, claro dá muitos tapas na cara do personagem de Sheen.

Tudo começa com o velório de Charlie. Muitas intérpretes de namoradas antigas do personagem, como Jenny McCarthy e Jodi Lyn O’Keefe, comparecem para bater (ou cuspir) em suas memórias, o que rendeu algumas das melhores piadas do episódio. Mas o melhor momento é mesmo o discurso de Rose (Melanie Lynskey), namorada de Charlie, que comenta que após pegá-lo no chuveiro com outra mulher, resolveu perdoá-lo, mas, “coincidentemente”, no dia seguinte, ele havia escorregado na linha do metrô e sido atropelado. “Charlie não sofreu. Morreu como um grande balão de carne”, explica ela, em performance divertida.

 
A reunião que decidia o que ser feito com os bens do personagem foi o momento que arrancou mais risadas de mim, graças ao bom roteiro que provocava interação entre Evelyn (Holland Taylor), mãe dos protagonistas, e Judith (Marin Hinkle), a ex-mulher de Alan (Jon Cryer). Lá, Alan percebe que não tem dinheiro para manter a casa, que será posta à venda.

A venda da casa abre espaço para personagens convidados, como Dharma & Greg (que saudade dessa série!), outra criação de Chuck Lorre, vividos por Jenna Elfman e Thomas Gibson. Os dois rendem uma cena deliciosa para qualquer nostálgico.

Segue, então, o único momento próximo de uma homenagem ao personagem que guiou a série por oito anos: uma bela cena de Alan se despedindo do irmão, já em forma de cinzas. Cinzas que, claro, também rendem momentos hilários quando Alan tenta decidir que destino dar aos restos do irmão.

Nesse contexto, surge o bilionário suicida Walden (Kutcher), que acaba fazendo amizade com Alan e, depois de algumas cenas de nudez desnecessária (mas nem por isso sem graça), ambos vão a um bar, onde Alan percebe que Walden não é nem um pouco bom com mulheres, totalmente ao contrário do falecido irmão.



Bem nesse momento, quando você pensa que o seriado vai ganhar uma cara nova, percebe que o episódio terminará com Walden fazendo sexo com duas mulheres e Alan chupando o dedo. Como sempre (aliás, até isso rende piada).

É aí que você percebe que “Two and a half men” vai ser exatamente a mesma coisa que era antes, mas com uma cara nova e um pouquinho mais de nudez. Kutcher segura a peteca, mesmo porque, como ator, é levemente melhor que Sheen (o que não quer dizer muita coisa, claro), mas está mais do que claro que as mentes por trás do show não querem mudar a forma como trabalham, tampouco seu produto.

Isso provavelmente significa que tudo vai continuar igual também para os espectadores: quem não acompanhava, não vai passar a acompanhar; quem via esporadicamente quando ligava a TV e “Two and a half men” estava no ar (meu caso), continuará fazendo isso; quem achava graça nas piadas pode até, por birra, fingir que parou de achar, mas elas serão exatamente as mesmas.

Apesar da ótima reestreia, a mudança de elenco só serviu para confirmar o óbvio: “Two and a half men” está ficando velha. E, apesar de não ter um grande efeito na prática, a substituição de Charlie Sheen não poderia ter vindo em melhor hora para retardar esse processo.

domingo, 18 de setembro de 2011

Ringer - Promessa ou decepção?



Oito anos depois de aposentar a personagem Buffy –por escolha própria, e não da produção do seriado--, Sarah Michelle Gellar não é mais nenhuma mocinha. Não tem mais o mesmo perfil de ídolo teen e a mesma forma para incorporar a protagonista de um seriado que criou um universo próprio, tornou-se “cult” e ainda tem grandes eventos com o elenco e encontros de fãs realizados por todo o globo.

Essa foi minha principal impressão ao fim do episódio piloto de “Ringer”, que estreou no canal norte-americano CW na última terça. “SMG não é mais a mesma”. E isso é bom.

Qualquer um que tenha visto, eu diria, as temporadas 4, 5 e 6 de Buffy (destaco a quinta temporada, com o incrível episódio “The Body” e o melhor season finale da série, “The Gift”) sabe que é inegável o talento da atriz tanto em cenas dramáticas quando nas cômicas.

E isso está explícito quando se analisa a protagonista da nova série, Bridget, uma personagem nada admirável, mas muito bem interpretada pela atriz. Gellar deixa claro já pelo olhar o que guia a personagem: medo, fraqueza. Muito diferente de sua irmã gêmea, Siobhan, egocêntrica, fria e extremamente forte. Isso também fica claro na interpretação da atriz. Basicamente, Ruth e Raquel chegaram aos Estados Unidos, mas sem o estereótipo chato de mocinha em Bridget, talvez pra compensar uma Siobhan bem mais “clichezenta” que a gêmea má brasileira. Mas isso é obviamente um problema de roteiro, não de Gellar, que rapidamente encontrou o tom certo para seu novo estilo em papéis de mulheres mais maduras que a caça-vampiros adolescente.



Essa dualidade entre as irmãs norteia todo o fraco roteiro do piloto. Sim, infelizmente, tivemos um primeiro episódio sem muita originalidade, e com algumas falhas complicadas de engolir. Primeiro: Bridget estava sendo perseguida por um assassino e pressionada pelo FBI para depor contra ele, o que provavelmente a mataria. Tudo bem, não dá pra dizer que há uma solução fácil pra isso, mas é difícil aceitar que a ÚNICA coisa que ela podia ter feito era tomar o lugar da irmã morta, né? Se você passar por cima disso, ainda vai ter que aceitar um universo de coadjuvantes extremamente mal explorado, com uma melhor amiga fútil e sem profundidade (Gemma, interpretada por Tara Summers), um amante que não diz a que veio (Henry, feito por Kristopher Polaha) e um agente do FBI que dá sono (Victor Machado, do overrated Nestor Carbonell). O único que salva um pouco é o marido de Siobhan, Andrew, interpretado por Ioan Gruffudd, mais conhecido por seu papel em “O Quarteto Fantástico”. O cara já deu sinais de ter segredos obscuros, o que despertou minha curiosidade.

Mas esse problema com personagens é um erro muito grave, porque sempre fui da opinião de que a qualidade de uma série é medida não pelo protagonista e pelo vilão, mas pelos coadjuvantes. São esses personagens de apoio que permitem que o roteiro saia do lugar-comum, e impedem que o seriado se torne maçante, com um plot único girando em torno da personagem principal. Buffy não seria o que foi se não fossem por Willow (Alyson Hannigan), Xander (Nicholas Brendon), Cordélia (Charisma Carpenter), Angel (David Boreanaz), Giles (Anthony Stewart Head), Joyce (Christine Sutherland), Dawn (Michelle Trachtenberg) e Faith (Eliza Dushku). Foi o bom desenvolvimento desses outros personagens que permitiu à protagonista crescer e aos espectadores amarem todo o universo de Joss Whedon, e não apenas a caçadora. E é realmente difícil vislumbrar isso em Ringer, principalmente com a mesma atriz interpretando as únicas personagens importantes até agora.

Outro problema: não há cliffhanger. Quer dizer, alguém realmente achou que Siobhan estava morta? Pode ser que os estadunidenses sejam ingênuos, mas aqui no Brasil estamos bastante calejados. Quando Ruth se passou por Raquel, em 1993, no fundo já sabíamos que Raquel estava viva. Anos mais tarde, situação similar aconteceu em “A Usurpadora”, exibida pelo SBT. Terminar um episódio piloto com a revelação de que a gêmea má não morreu não é nenhum convite a assistir ao segundo. É uma constatação do óbvio. Aliás, seria até melhor se isso não fosse revelado no piloto, e sim no próximo episódio. Aí talvez teríamos alguma dúvida, e algum cliffhanger. Mas sinto que a audiência vai cair consideravelmente nesta semana.

Passando pelo roteiro, temos o problema de produção. As cenas com as gêmeas juntas deixam a desejar, com exceção da dos espelhos, que ficou simplesmente sensacional! Novamente, ponto pra atuação de SMG aqui. Os efeitos ficaram fracos, e era muito fácil perceber a montagem. Mais uma vez comparando, em 1993 a Globo fez melhor que isso, então fica difícil dar algum desconto para a produção. 

 
E aí, temos a famigerada cena do barco, em que Siobhan “morre”. Claramente feita numa piscina, e provavelmente em um barco estático, a sequência quase não disfarçava a tela verde usada nos sets de gravação. Ficou ruim, não há outra palavra. Se um canal aprova uma série, o mínimo que ele precisa fazer é ter um orçamento que garanta a qualidade do piloto. Mas não foi o que aconteceu aqui.

Ainda assim, Ringer não pode ser considerada uma série ruim, e a boa atuação de Gellar é primordial para que essa afirmação seja verdadeira. E é compreensível que o enredo exigia um piloto acelerado, com muita informação e pouco detalhe. O que espero da série de agora em diante é uma pisada no freio, uma boa exploração do elenco disponível e menos centralização nas irmãs. E acho possível que essa expectativa seja atendida em uns 5 ou 6 episódios. Por isso, prefiro classificar a série como promessa, em vez de decepção. Aliás, alguém aí reparou na data de nascimento das gêmeas? Discretamente, acho que a produção sinalizou um episódio de aniversário vindo por aí ;)

Mas, apesar de ser uma boa promessa para a temporada de séries, por enquanto, Ringer ainda é apenas a nova série da SMG, e ela até segurou bem a onda. Só que só vai atrair fãs de Buffy, e a curto prazo. Resta torcer para que a CW, que afinal nos deu Buffy e Angel (além de outras séries já consagradas, como Smallvile e Supernatural), queira mais que isso.

quinta-feira, 3 de março de 2011

American Idol 10 - Top12 Girls

A última noite foi das meninas! E que noite! Com pouquíssimas exceções, o grupo feminino mostrou que vai dar trabalho pra rapaziada. Foi realmente difícil rankear essa lista (com exceção dos dois extremos, esses foram bem fáceis). Seguem os vídeos e a análise:

Ta-Tynisa Wilson – Only Girl in the World (Rihanna)



Conheçam Ta-Tynisa, a nova rainha das baladas… NOT! Tentativa inútil de ganhar popularidade com uma música contemporânea. Não foi boa, e, se ela não sabe que uma música dessas não é pra se cantar ao vivo (sério, certeza que a própria Rihanna não dá conta), que caia logo fora.

Naima Adedapo – Summertime (Ella Fitzgerald)



Naima foi pro lado oposto da Ta-Tynisa: um nome menos ligado ao pop atual. Uma escolha muito melhor, apesar de batida, porque ficou uma boa releitura na voz dela. Mas acho que falta alguma coisa na Naima, não sei direito o quê. E o look Iemanjá não ajuda, né?

Kendra Chantelle – Impossible (Christina Aguilera)



Kendra foi simplesmente a melhor apresentação solo, última etapa da fase do teatro, tendo levado o jurado Steven Tyler às lágrimas. Depois, em Las Vegas, desbancou todos os concorrentes nas apresentações em grupo ao lado de Paul McDonald. Infelizmente, a edição não deu a atenção devida à sua trajetória anterior ao top24, o que reduz drasticamente as chances de ela passar. Ainda assim, já era a minha favorita. Até que resolveu cantar Christina Aguilera ontem à noite. E o fez tão maravilhosamente bem, dando a “Impossible” a suavidade característica do jeito Kendra de cantar, que não tenho outra opção senão dizer: tá bom, Kendra, eu caso com você!

Rachel Zevita – Criminal (Fiona Apple)



Juro que achei que ninguém fosse me conquistar depois de ver Kendra cantando Aguilera. Mas eu estava errado. Rachel mostrou um lado mulher até então inédito, ficou excelente! Os vocais não fizeram jus à sua capacidade, mas quem se importa?

Karen Rodriguez – Hero (Mariah Carey)



Música mais batida, impossível. Até eu canto no videokê. Ela tentou dar um toque original cantando uma versão Spanglish, e foi uma tentativa válida, mas não ficou legal. É boa, mas faltou muito carisma pra chegar lá.

Lauren Turner – Seven Day Fool (Jully Black)



Eu não havia concordado com a ida da Lauren pro top24, mas mudei de ideia com essa apresentação. Achei muito boa, e comecei a concluir, a partir daí, que vai ser BEM difícil escolher só 5. Bons vocais, bom figurino, estilo próprio, enfim. Go, Lauren!

Ashthon Jones – Love all over me (Monica)



Seria a Ashthon uma ex-Destiny’s Child? Se não for, é gêmea! Achei moderno, ela tinha tudo pra cair no estereótipo de diva negra que só berra, mas não quis. Atitude ousada, visto que o público do Idol só gosta de cantoras teen ou divas berradoras. Até que gostei, mas saiba que a concorrência tá brava, Ashthon!

Julie Zorrilla – Breakaway (Kelly Clarkson)



A maior bola fora desta edição. Zorrilla tinha tudo: é bonitinha, fofinha, canta bem e havia conquistado boa parte do público. Era hora de cantar uma bela balada, bem leve, ou talvez até Breakaway mesmo, se ela tivesse se dado ao trabalho de fazer um arranjo mais suave. Mas, apesar da boa performance vocal, o arranjo não ajudou, o tom não ajudou, o estilo não ajudou. Enfim, Zorrilla decidiu tirar o pezinho que tinha dentro do top12. Talvez ela seja do tipo que gosta de desafios.

Haley Reinhart – Fallin (Alicia Keys)



Haley é inexplicável. Suas apresentações, boas e ruins, sempre eram destaques nas edições, mas, ainda assim, parece que o público não a engoliu tão bem. Acho que esse jeitinho dela que é meio sem graça. Só pode ser, porque ela canta bem, tem uma voz rouca bem característica e faz umas firulas bem Elza Soares style, o que é muito bom. Ainda assim, a falta de graça dela conta muito contra.

Thia Megia – Out Here on my own (Irene Cara)



Cantou muito bem, mas que performance entediante hein? Ainda assim, foi uma boa variada, fugiu do estereótipo teen e mostrou que tem mais a entregar do que parece, o que aumenta a vontade de investir nela.

Lauren Alaina – Turn on the Radio (Reba McEntire)



Lauren é ótima, tem uma baita voz, cantou muito bem, se movimentou bem, esteve à vontade no palco. Parece não ter defeitos. Parece... é, o problema é esse. Vejo nela bastante Kelly Clarkson (AI1), vejo nela Allison Iraheta (AI8), vejo nela até um pouquinho de Carrie Underwood (AI4)... e tenho muita dificuldade de ver nela a Lauren Alaina. Ainda assim, não dá pra ignorar uma performance dessas.

Pia Toscano – I’ll Stand by you (The Pretenders)



Ok, a produção deve ter visto os ensaios e os usado para determinar a ordem das apresentações, só pode! Pia Toscano foi simplesmente incrível. Até um certo momento, ela estava só “muito boa”, até que começaram os gritos. Todos impecáveis. Incrível como ela dominou a arte de berrar, voz impecável, afinação perfeita, enfim, tudo de que precisávamos pra fechar uma noite permeada de boas interpretações!

Concluindo, segue meu top12:

1) Pia Toscano
2) Kendra Chantelle
3) Rachel Zevita
4) Lauren Alaina
5) Lauren Turner
6) Thia Megia
7) Ashthon Jones
8) Naima Adedapo
9) Haley Reinhart
10) Karen Rodriguez
11) Julie Zorrilla
12) Ta-Tynisa Wilson

Acho que só vou acertar a Pia e a Lauren Alaina. Provavelmente entram Thia, Ashton e Naima além delas. Na repescagem, talvez a Kendra tenha chance, ou talvez a Rachel.

Bom, daqui a alguns minutos, saberemos! Boa sorte aos nossos favoritos! =)

American Idol 10 - Top12 Guys

O blog esteve em coma (e nada melhor pra deixá-lo em coma do que o último post), mas resolvi ressuscitá-lo por causa do American Idol, algo com o qual tenho me envolvido bastante e vou gostar de comentar.

Pra quem não sabe, a décima e atual temporada contou com uma revolução forte no júri. Além de Paula Abdul, que já havia deixado o programa na nona temporada, perdemos também as novatas Kara DioGuardi e Ellen Degeneres. E, para a felicidade geral de todos, o inteligentíssimo, porém extremamente mala sem alça do Simon Cowell resolveu deixar o show para se dedicar ao X-Factor (programa de calouros que é sucesso no Reino Unido) americano. Resta-nos esperar que o X-Factor seja um sucesso e que ele jamais dê as caras no Idol novamente.

O veteraníssimo jurado Randy Jackson agora divide a bancada com dois “novatos”: Steven Tyler, ex-Aerosmith, e Jennifer Lopez, o quadril mais famoso das Américas, pra Sheila Carvalho nenhuma botar defeito.

Ontem começaram as semi-finais, ou seja, o top24. Separados em grupo masculino e feminino, os 24 melhores cantores da temporada brigarão pelos votos dos americanos para buscar uma vaga no reality. Os 12 rapazes cantaram ontem à noite, e os cinco mais votados estarão garantidos no programa. Haverá, ainda, uma repescagem, mas não se sabe exatamente como ela funcionará.

Segue, abaixo, minha análise da noite, com direito a vídeos de cada um e minha colocação, no final. Lembrando que, se eu acertar metade, já ta bom, porque meus gostos nunca batem com os da maioria, já estou acostumado. O que importa é a torcida.

Clint Jun Gamboa – Superstition (Stevie Wonder)



Clint tem uma ótima voz e acabou fazendo uma performance bastante memorável. O problema é que o carisma é nulo. É chatinho, feio, não parece ser humilde e, mesmo sozinho no palco, quase desaparece, de tanta dificuldade que tem de se destacar.

Jovany Barreto – I’ll be (Edwin McCain)



Gosto muito do Jovany e de seu estilo latin lover, único nesta competição. Mas achei uma oportunidade desperdiçada, com uma música batida e uma performance sem erros, mas mediana.

Jordan Dorsey – OMG (Usher)



Vergonha alheia define essa performance. O que é bom. Jordan é um bom cantor, mas estava precisando baixar a bola. Vai tarde pra casa.

Tim Halperin – Streetcorner Symphony (Rob Thomas)



O cara é bom, se esforçou, mas estava claramente nervoso. Acabou fazendo uma performance mediana, que nada acrescentou à noite.

Brett Lowenstern – Light My Fire (The Doors)



Se você pegar os primeiros segundos da performance e assistir no mudo, ao som de Rita Lee cantando “Doce Vampiro”, vai parecer que é ele. Depois, agitou, melhorou e acabou saindo uma performance marcante. Mas, pra mim, não marcou o suficiente. Além disso, acho desnecessária essa coisa de “Ah, nem noto que mexo o cabelo”. Vá, isso não é uma coisa que uma pessoa faz sem notar.

James Durbin – You Got Another Thing Comin’ (Judas Priest)



Não gosto dele, não gosto dos agudos e, ao contrário dos jurados, acho sim que ele poderia ter maneirado mais. Ainda assim, não dá pra não tirar o chapéu pra essa performance. Foi incrível, o cara tava em casa no palco, animou a plateia, enfim, tem toda a pinta de Idol.

Robbie Rosen – Arms of an Angel (Sarah McLachlan)



Muita gente pode não gostar, porque não agitou, não mexeu com a galera, e hoje em dia parece que isso é o que tá em voga. Mas eu digo: nenhum desses caras consegue cantar uma balada com a profundidade do Robbie. É o único candidato capaz de nos dar a emoção necessária pra esse tipo de música.

Scotty McCreery – Letters From Home (John Michael Montgomery)



Scotty não teria chegado até aqui se dependesse unicamente da competência dele. Isso ficou claro ao longo do programa. Mas a verdade é que, mesmo não passando do arroz-com-feijão, ele tem uma voz absurdamente única, que ainda merece ser ouvida por muito tempo nesse programa.

Stefano Langone – Just the way you are (Bruno Mars)



Também gosto da vibe italiana do Stefano. Pelo histórico, ele tinha tudo pra ser um candidato comum e fazer uma performance apagada, mas se destacou de uma forma que poucos conseguiram. Ponto pra ele.

Paul McDonald – Maggie Mae (Rod Stewart)



É, de longe, a melhor imagem masculina da competição, e tem uma voz realmente só dele. Mas a performance foi uma coisa meio “não bebi a ponto de cair, mas confesso que meu equilíbrio tá meio afetado”. Não dá pra criticar a performance vocal, mas achei a movimentação bastante esquizofrênica.

Jacob Lusk – House is not a Home (Dionne Warwick)



Tem um puta vozeirão… mas só. Não gosto do estilo afetado, não gosto das firulas, dos pulinhos, dos figurinos e dos elogios gratuitos dos jurados. Sorry, Jacob, mas você tem que fazer muito mais que isso pra realmente cativar.

Casey Abrams – I put a Spell on you (Nina Simone)



Simplesmente inacreditável de tão perfeito!!!!! Nunca havia gostado dele antes dessa performance, mas o cara definitivamente me ganhou. Ao contrário de Jacob, Scotty e James, a voz do Casey não é maior que ele. Não, é ele quem domina a voz, e o faz com uma maestria invejável a qualquer outro candidato a Idol.

So, segue meu top12:

1) Casey Abrams
2) James Durbin
3) Scotty McCreery
4) Stefano Langone
5) Robbie Rosen
6) Jovany Barreto
7) Jacob Lusk
8) Paul McDonald
9) Clint Jun Gamboa
10) Brett Lowenstern
11) Tim Halperin
12) Jordan Dorsey

Mas arrisco dizer que passam, na real: Casey, James, Scotty, Jacob e Paul. E possivelmente Robbie leve a vaga da repescagem.

Aguardemos a performance das garotas! De olho, principalmente, em Kendra Chantelle, Pia Toscano, Thia Megia, Lauren Alaina e Rachel Zevita.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Poema intraduzível

Saudade da família, saudade da doçura.
Saudade das broncas, saudade da ternura.
Saudade das “brigas” pela melhor pizzaria.
Saudade do conforto e da eterna companhia.

Saudade dos medos, da insegurança.
Saudade de entender que não sou mais criança.
Saudade dos churrascos da época da escola.
Saudade de morrer de medo de jogar bola.

Saudade de ser, estar, ter e haver.
Saudade de quando eu aprendia pra valer.
Saudade do sucesso, saudade do louvor.
Saudade de ter tido um futuro promissor.

Saudade da mudança, da novidade.
Saudade da empolgação de uma nova cidade.
Saudade da amizade mais “por acaso” da história.
Saudade desse amigo, que sempre está na memória.

Saudade da “facul”, das sessões YouTube.
Saudade da turma, daquele nosso “clube”.
Saudade da vida que sempre pedi a Deus.
Saudade de ter tido amigos como os meus.

Saudade de quem me salvava do turbilhão.
Saudade de você, irmãzinha do coração!
Saudade dos cochichos com a luz apagada.
Saudade do amigo, saudade da risada.

Saudade do meu sorriso, daquela simetria.
Saudade de quem sabe como fui um dia.
Saudade de não saber o que era sofrimento.
Saudade de tudo, antes daquele momento.

Saudade de cada dia ser um aprendizado.
Saudade de sempre ter a solução ao lado.
Saudade do sucesso e fracasso compartilhados.
Saudade de quase nunca trabalhar calado.

Saudade de quem passou, saudade de quem ficou.
Saudade até mesmo de quem nunca me amou.
Saudade da união, sentir a amizade pura.
Saudade do recente, quanto será que dura?

Saudade de deitar, dormir abraçadinho.
Saudade de ter um colo, saudade do carinho.
Saudade, sim, de uma pessoa querida.
Saudade de amar como já amei na vida.

Saudade de querer que as coisas boas se concentrem.
Saudade de acreditar que tudo dura para sempre...

(Luiz Gustavo Cristino - 25/7/2010)

sábado, 17 de julho de 2010

O fim do começo

Pensei muito antes de publicar este texto. Afinal, ele fala sobre outras pessoas, expõe coisas que vivemos durante alguns meses. Depois, concluí que tão pouca gente lê isto aqui... e que essas pessoas merecem essa homenagem. Gostem ou não.

Madrugada de sexta-feira, 9/7/2010

Oficialmente, hoje foi o último dia do programa de treinamento. Trabalharemos no fim de semana, mas em escalas. Os 12 juntos, não mais. Isso me causou uma súbita vontade de ressuscitar o agonizante blog, companheiro de momentos de desabafo.

Não sei nem por onde começar a dizer tudo o que aprendi nesses quatro meses e meio. Ao contrário dos meus colegas trainees, entrei com zero de experiência em jornalismo. Pauta, pra mim, era o assunto das reuniões nas empresas. Fonte eram livros e artigos acadêmicos, de onde eu tirava tabelas, dados, variáveis e constantes. Matéria? Tudo o que ocupa lugar no espaço e tem massa. Por algum motivo, alheio ao meu conhecimento, fui selecionado para compor essa turma de feras no jornal que sempre considerei o melhor do país.

Era uma baita “responsa”, assustador no começo, e eu tinha muito medo de não dar conta desse treinamento. E eu ainda não sei se daria, não fosse essa gente absurdamente legal que, de repente, passaram a ser companheiros essenciais à minha rotina e à minha vida. Afinal, não bastassem as dez horas diárias --no mínimo-- juntos no jornal, a maioria morava no mesmo prédio que eu, a um corredor ou alguns degraus de distância. Ou seja, era café da manhã, almoço, jantar e, às vezes, um barzinho no fim do dia, porque ninguém é de ferro.

As pessoas que seguem foram os responsáveis por transformar um engenheiro quadrado, quieto, conservador e conformado, em um jornalista crítico, questionador e aberto. Se algum louco, um dia, vir meu trabalho e gostar, é bom saber que devo tudo a eles. O texto está longo, mas, acreditem ou não, fiz um exercício monstruoso de fechamento antes de chegar a esta versão.


O que vai ser de mim sem os abraços de bom dia da Aline? Companheira essencial na primeira escala, e em diversos momentos nesses quatro meses. Foi com ela que consegui compartilhar minha alegria de ter recebido o CD novo da Aguilera depois de três semanas de espera! \o/ Passei um bom tempo sem saber como mostrar o quanto ela é querida. No final, me senti bem, pois acredito que consegui (se não tiver conseguido, tentarei mais uma vez agora: Aline, adoro você, viu?). Espero ter muitas oportunidades de retribuir o carinho!

Anna Virginia, com seus cinco (ou quatro, mas que valem por cinco) sobrenomes, é um caso à parte. A primeira jornalista a me mandar um tuíte, pré-semana de palestras. Tudo bem que nem nos falamos durante a semana em si, mas eu era anti-social naquela época. No treinamento, tudo mudou, e Anna Virginia e eu, por trás de diferenças superficiais, fomos percebendo que nem eu sou tão “conservador” assim e nem ela é tão “moderninha” quanto se pensa. A Anna me complementa, de uma forma sem precedentes e isso aconteceu bem rápido. E agora, com quem compartilharei as previsões bizarras do polvo sobre minha vida pessoal?

A Carol já é especial pra mim desde a semana de palestras, pois foi a primeira pessoa que me fez sentir-me bem entre jornalistas (acho que nem ela sabe disso). Fiquei absurdamente feliz quando vi que seríamos colegas e, de lá pra cá, essa relação foi se intensificando exponencialmente. É incrível como ela sempre sabe os momentos em que mais preciso de um carinho, de um abraço. A esta altura, se ela não souber, também, eu faço questão de pedir! =D Espero ser, um dia, tão bom profissional quanto ela. Mas, bem acima disso, espero ser sempre digno de todo o carinho e amizade que ela sempre me deu.

Sempre vi o Elton como um cara bastante maduro, que entende a vida como eu jamais conseguiria. As perguntas que fazia durante o treinamento geralmente eram as que mais me acrescentavam aprendizado e informação. E, com o tempo, percebi que é uma diversão estar do lado dele --a Anna Virginia que o diga (aliás, será que eles continuarão lado a lado na editoria em que vão trabalhar, juntos, na próxima semana?) Sério, quando eu crescer, quero ser que nem o Elton! Mas não tem jeito: ele sempre vai ser o cara que assistiu a um jogo do Brasil comigo no... bom, quem sabe, sabe.

Grande Hiroshi, meu vizinho da direita! Poxa, eu ainda queria que rolassem mais umas dez versões da memorabilia (...NOT!), se isso prolongasse nosso tempo de convivência. De uns tempos pra cá, o Hiroshi vinha sendo um grande companheiro de matérias. E, coitado, era o único que tinha de esperar minha lerdeza tanto no almoço como na janta. Esta, aliás, rendeu alguns dos meus melhores papos e desabafos durante o treinamento. Excelente profissional e excelente pessoa, além de bastante conservad... digo, prudente, espero levá-lo como amigo pra vida, antes de qualquer outra coisa. E que o fim do treinamento não seja o fim das jantas na vovó (atualização: foi mesmo o fim!)!

Filipe, ou FiMotta, é de quem eu tenho mais pena entre todos os trainees. Afinal, meu conterrâneo mineiro teve que me aguentar dividindo um quarto de hotel durante quatro meses. Fico feliz porque ele sobreviveu e, incrivelmente, ainda cogita a possibilidade de continuar morando comigo depois do treinamento. Como bons mineiros, ambos falamos pouco, mas cada conversa sempre vale a pena. Agradeço por toda a paciência, pela companhia, pelos bons papos e momentos de confiança.

A maioria das minhas primeiras vezes foi com a Grazi (com exceção, provavelmente, dessa que pode ter passado pela sua cabeça, leitor maldoso!). A primeira experiência procurando pauta nas ruas, a primeira matéria extra-treinamento, a descoberta de que não dar conta de ler o jornal inteiro todos os dias não me faria um mau profissional... Fora as milhares de vezes em que, cheio de dúvidas, enchi a paciência dela, que sempre foi extremamente solícita --uma querida!-- comigo. E os conselhos sobre a vida, sempre sensatos, que muito me fizeram refletir. Muito bem, Graziela! Olhar para o meu lado esquerdo e não vê-la, daqui pra frente, vai ser sempre difícil, sempre uma perda. Por favor, guarde o calendário. Tudo o que escrevi lá pode até ser bobo, mas é muito especial!

Até hoje não sei se decifrei direito o Gui. Não só porque é um cínico, cínico, cínico, mas também porque, no início, sempre o achei o trainee mais diferente de mim e o mais parecido comigo, tudo junto e misturado. Dessa antítese que ronda nossa convivência, surgiu uma amizade que me surpreendeu pela intensidade e pela importância. Pequenas grandes conversas, pequenos grandes apoios e pequenas grandes demonstrações de confiança me fazem não querer nunca perder esse cara de vista. E, sorry, mas tudo o que eu não quero, não deixo acontecer, mesmo!

Nosso querido Marcos é aquele cara que leva alegria pra qualquer lugar em que está. Coincidência ou não, foi meu parceiro na pauta mais divertida que já fiz na vida, pelo menos por enquanto (Luigi! hohooo!). De sessões de violão a sessões de videogame, passando por sessões de chope no Prazeres do Sul, não tem como não gostar de estar perto dele. É um cara que admiro pelo carisma, pela capacidade de cativar as pessoas, e pela força que carrega dentro de si. É um grande guerreiro, e sem dúvida vai sair um grande vencedor. Mas o que importa mesmo é o grande amigo que é e, no que depender de mim, será sempre. Have a rotten day!!!

Um dia, no treinamento, de repente, uma barrinha de chocolate napolitano pululou na minha mesa. Brinquei com o Marcos: “Cara, quem deixou isso aqui sabe como me fazer feliz!”. Adivinhem quem tinha sido? Sim, ela! Nááááádia! Aliás, sabem quem me levou pra balada com músicas mais legais que eu já fui na vida? Sim, também foi ela, que, aliás, como eu, entrou advogada e saiu jornalista (tá, eu não entrei advogado, mas vocês entenderam, né?). A Nádia sempre tem algo interessante a dizer. Algo que, ou vai te divertir bastante, ou vai te fazer pensar sobre coisas da vida. Se você quer melhorar o seu dia, recomendo sempre uma boa conversa com ela. Aliás, recomendo a amizade maravilhosa que ela pode oferecer. É a pululante mais querida do Brasil!

Coincidência ou não, faltou a Thais por último. E talvez não seja por acaso. Os outros dez que me desculpem --e eu sei que desculparão--, mas a Tata é a que mais está deixando saudade. “São só dois meses!”, imagino ela dizendo. Dois longos meses! É muito tempo sem aquele carinho que ela oferece despretensiosamente, sem querer nada em troca. Sem aquele sorrisão lindo! Mas, principalmente, sem as consultas de língua portuguesa! =D A Tata quebrou um tabu que sempre existiu, o das pessoas começarem a me chamar de Guto, e fez isso com uma baita naturalidade. Mal sabia ela o quanto gosto de ser chamado por apelido, o quanto isso deu aquele colorido especial para o treinamento. Com certeza, ela terá um sucesso enorme lá em Brasília. Mas o que desejo mesmo é um sucesso muito maior aqui em São Paulo, pra que possamos nos ver bastante!

Saibam, leitores, que quem mexer com um desses onze, mexe também comigo! #FãdaXuxaFeelings

Mas os agradecimentos não acabam por aqui. Devo o profissional que sou hoje à Ana Estela, que, além de sempre ter um ótimo conselho na manga, nos momentos mais decisivos acreditou mais em mim do que eu mesmo, e ao Fábio, que me deu aquela força cada vez que precisei, acompanhou e me ensinou, do zero, meus primeiros passos, ainda engatinhando como jornalista. Sem me esquecer da minha ex-colega de escola em BH e eterna madrinha, Cris, que acabou virando não apenas minha amiga, como também amiga de toda a 49ª turma.

Hoje, uma semana depois de ter escrito tudo o que você leu (ou não) acima, tive uma daquelas pequenas grandes conversas com o meu amigo Gui. Concluí que tenho dificuldade, sim, em desapegar. Mas não é simplesmente isso. Difícil, mesmo, é desapegar dessa turma maravilhosa, especial, que representou muito mais pra mim do que qualquer um deles é capaz de imaginar. Enfim, espero que eu nunca realmente me desapegue. E que eles nunca se esqueçam de tudo o que passamos juntos, porque eu nunca vou me esquecer. A todos, não sei mais o que dizer além de: MUITO OBRIGADO!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Em Evidência - Aprendiz 7 Universitário

Blog voltando com uma bela sessão Em Evidência (que eu acho a mais legal de fazer). Levando em conta o quanto gosto de O Aprendiz, eu não poderia deixar de prestigiar (ou não) o programa após sua estreia, na última quinta-feira. Hoje, vai ao ar o segundo episódio do reality, que é o foco deste Em Evidência.



 
A estreia foi muito aguardada por todos, principalmente pela troca de apresentador. Sai Roberto Justus, entra João Dória Júnior. Assim, teoricamente, o público se ampliaria, já que aos tradicionais fãs do programa somariam-se admiradores de João Dória e a troca de apresentador repercutiu bastante na mídia, atraindo atenções para a estreia. Mas, aparentemente, não foi o que aconteceu. A estreia amargou os 7 pontos de média (índice BEM menor que as edições anteriores, que costumavam dar dois dígitos) e a maioria dos pontos fortes do programa foram retirados em nome do inovação que vem sendo cultuada pela produção em função da troca de apresentador.

Não há palavra que define melhor o primeiro episódio que “apatia”. O mal foi geral: apresentador, conselheiro, participantes, ninguém chamou muito a atenção, ninguém demonstrou personalidade e muito menos foi capaz de causar admiração por parte dos telespectadores.

Ao contrário da maioria, gostei bastante da nova abertura (tirando o fato de que a abertura foi veiculada após 52 minutos de programa). Achei dinâmica e com uma nova roupagem interessante. Mesmo a mudança na música tema do reality foi bem-vinda pra mim. A nova batida representa melhor o tom mais jovem que o programa adquiriu após a aplicação do tema universitário. Houve muitas reclamações em relação à ausência de áudio das falas dos participantes ao cumprimentar Dória, o que considero um absurdo, pois nenhuma abertura que se prezasse manteria tais áudios.

O mesmo vale para a edição. Na contramão das opiniões de fãs, achei boa, dinâmica e correta. Até foi capaz de enganar o espectador em relação à equipe que venceu (embora, depois que se assiste à sala de reuniões, fique claríssima a superioridade da vencedora). Acho importante a capacidade de surpreender, que era raríssima nas edições anteriores.



 
João Dória Jr., por enquanto, está muito verde como apresentador. Foi bastante robótico e claramente seguiu um script. Faltou carisma e personalidade. Embora o formato do programa tenha sido claramente mudado em função de sua filosofia de trabalho, sua postura não refletiu essa personalidade.

O conselheiro David Barioni embarca no mesmo caminho. Extremamente sem graça, recheou o programa com frases feitas e lições básicas até para o ensino fundamental, com pouca associação prática à tarefa executada pelos candidatos. Seu grande momento no programa foi a indicação da demissão, que demonstrou opinião firme e personalidade. Por enquanto, Barioni ficou na promessa, o que é bom, poderia ter sido bem pior.

Já Cristiana Arcangeli roubou a cena durante o programa. Com personalidade e interação forte com os aprendizes, Cristiana foi muito mais chefe e muito mais presente que o próprio João Dória. É verdade que exagerou um pouco, foi meio espalhafatosa demais nas entradas (na comunidade oficial do Aprendiz, o pessoal comentou mais sobre o botox da conselheira do que das coisas que eram ditas por ela), mas foi uma grata surpresa à falta de graça total da estreia do programa.

A maioria absoluta dos participantes ainda não mostrou a que veio. Sem dúvida, todos os apreciadores do programa devem agradecer de joelhos a Aimée, que foi extremamente polêmica, já que demonstrou dificuldade para lidar com as pessoas, insubordinação e arrogância, mas também teve atitude e iniciativa para expor boas idéias e fazer o projeto acontecer. Foi o grande destaque do primeiro episódio, e esperemos que ela continue por muito tempo no programa, ainda. Gabriela também demonstrou que entrou no programa como quem entra numa guerra, e sem dúvidas irá render. O terceiro e último cricri da estreia foi Conrado, que, por enquanto, é uma promessa, mas nada garantido.

Entre os bons de lábia, vejo Caio como o grande destaque. O rapaz conseguiu que um erro gigantesco cometido por ele passasse quase completamente despercebido por todos, com exceção do conselheiro David Barioni. Já os destaques negativos foram para Aílton e Rodrigo Spohr, que apresentaram desempenhos fraquíssimos, mas, cada um por um motivo, livraram-se da demissão.

A sala de reuniões, clímax das edições anteriores, foi a grande decepção da noite. Os participantes, que não sabiam ainda que perfil agradaria a João Dória, optaram por serem apáticos e deixarem a agressividade de lado. Desta forma, foi fácil prever o caminho pelo qual percorreria a discussão e qual seria a decisão final de Dória, que finalmente deixou clara a importância de se fazer uma boa defesa na sala, o que pode ajudar a melhorar o nível do programa a partir do episódio de hoje. Já a demissão, tristemente, foi emitida em um tom que mais parecia que Dória convidava a participante para um cafezinho, e não que a expulsava do programa. Decepcionante!

O Aprendiz 7 – Universitário foi um balde de água fria em todos os que aguardavam ansiosamente sua estreia e a prometida inovação. Com enorme escassez de figuras carismáticas, a dificuldade em manter o público ao longo de sua exibição ficou clara com a informação da queda contínua do ibope da Record. O número de pessoas que manteve a TV na emissora ao fim da atração era menor que a metade do número de pessoas que assistia ao seu início. No fim, o terrível programa A Praça é Nossa abocanhou a vice-liderança, enquanto O Aprendiz amargou um terceiro lugar bem disputado com a quarta colocada, a TV Bandeirantes. A tendência de todas as temporadas é cativar mais público à medida que a final se aproxima. Espera-se, portanto uma melhora de qualidade ao longo da temporada. Por enquanto, a incrível inovação, que, de acordo com a produção da Record, era tão necessária ao formato, não passou de uma promessa, e o fantasma de Roberto Justus continua assombrando o programa, com comparações constantes e saudosistas de fãs. Resta a eles torcer para que isso não dure muito tempo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Game (s?) da Semana - Pokémon HeartGold/SoulSilver

E eis que surge uma análise 2 em 1, afinal, as diferenças são mínimas entre...

Pokémon HeartGold / SoulSilver
Velhinhos, mas ainda com corpinho de 16!



É óbvio que eu não deixaria de fora este que é o lançamento do mês no mundo dos games. Pokémon HeartGold/SoulSilver (a partir de agora referidos como HG/SS) são uma verdadeira viagem no tempo para quem, como eu, é dos saudosos tempos do Game Boy.

Um remake pede uma retrospectiva



Os jogos são nada mais, nada menos, que versões recauchutadas de Pokémon Gold/Silver (G/S), que é considerada por muitos (eu incluído) a melhor geração dos monstrinhos já existente. Não é à toa que foi a que mais vendeu. Lembro-me que, nas férias de janeiro de 2000, baixei uma versão japonesa traduzida para português, na ansiedade de pôr as mãos no game. “Você quer uma Chicolita?” perguntava o professor quando eu examinava uma das três pokébolas iniciais. Eu aceitei. O restante dos nomes dos Pokémon estavam todos em japonês ainda, e a maioria dos golpes e textos também. Por isso, logo desisti e fiquei desesperadamente aguardando o lançamento ocidental. Obviamente, nada de baixar nesse momento: comprei Pokémon Silver original para Game Boy Color.

Foi o momento em que surgiu a diferença de gêneros, todos os Pokémons passaram a ter espécimes macho e fêmea, não apenas o Nidoran. Com isso, veio a possibilidade de acasalar os bichos, que ficaram muito felizes, claro. E nós também. Afinal, com os filhotes, eu pude fazer um time com todas as variações do Eevee, o que não podia acontecer em Red/Blue. Foi em G/S, também, que os monstrinhos ganharam sua forma definitiva, que mantêm até hoje. Em Red/Blue, a maioria era bem feiosinha e a maioria não tinha cores de preenchimento, apenas contornos.


Gold/Silver é, até hoje, a única geração que permitiu comunicação interna entre duas regiões: a então recém-criada Johto e a já conhecida Kanto, terra de Misty, Brock, Sabrina e companhia limitada. Eles, aliás, marcaram presença e continuaram como líderes de ginásio, dando a G/S o status de única geração entre as 4 existentes que possui mais de 8 insígnias. São 16 no total: as 8 de Johto e as 8 clássicas de Kanto, que foram eliminadas nas gerações posteriores e nunca mais voltaram. Até agora, claro.

Gold/Silver nos trouxe o simpático Marill (que, antes da versão ocidental, muitos por aqui chamavam de Pikablu, acreditando que ele seria o sucessor do insubstituível Pikachu), além de Aipom, Nosepass, Gligar, Swinub/Piloswine, Yanma, Sneasel, Murkrow e Misdreavus que, 6 anos depois, ganharam evoluções em Diamond/Pearl (já estava na hora!). Os bebês também foram introduzidos aqui. E são muitos: Pichu, versão neném do Pikachu, Cleffa, a Clefairy recém-nascida, Igglybuff, uma versão menos rechonchuda do Jigglypuff, e os sapecas Elekid (o segundo Pokémon dessa geração a ser revelado pela mídia, na época), Magby e Smoochum (versões infantis de Electabuzz, Magmar e Jynx, respectivamente). Também foi aqui que surgiu o Togepi saído do ovo, sucesso absoluto no anime.

Os produtores perceberam que o atributo “Special” era muito fodão, principalmente com o golpe Amnesia usado para aumentá-lo, o que garantia, ao mesmo tempo, dano e defesa fortíssimos. Assim, dividiram esse atributo em Special Attack e Special Defense, o que faz muito mais sentido, e Amnesia passou a aumentar apenas a Special Defense. Justo.

Os itens são um caso à parte. Os Pokémon, pela primeira vez, podia segurar itens durante as batalhas, o que passou a fazer uma enorme diferença na estratégia do jogo e deu espaço às Berries, frutinhas com efeitos diversos que garantiram eternamente seu espaço nas gerações seguintes. Com isso, agora havia itens que alguns bichos teriam que segurar durante trocas para evoluírem e, obviamente, novas evoluções surgiram: Golbat agora ficada ainda mais fodão como Crobat, Poliwhirl podia virar o sapinho Politoad, Seadra se transformava no poderoso dragão marinho Kindgra e Onyx inovou com sua evolução, o Steelix. Ah, Steelix... o grande símbolo dos Pokémon do tipo metálico, que até então não existiam, tendo debutado juntamente aos do tipo noturno (com Umbreon, a nova evolução do Eevee além do psíquico Espeon, no posto de principal representante noturno) em G/S.

Um último detalhe: a geração Gold/Silver, como todas as outras, ganhou um terceiro game, o Crystal. Nele, estreou a possibilidade de se escolher entre um personagem garoto ou uma menina, algo que perdura tamanho o sucesso que fez.

Conclusão: toda a mecânica de jogo que conhecemos hoje foi criada naquela época, nasceu com Gold/Silver. Isso posto, não resta dúvidas de que um remake é, no mínimo, uma homenagem merecida.

Velho jogo, novo visual

Absolutamente todos os elementos que descrevi voltam triunfalmente em HG/SS, mas muito mais belos e atraentes. A diferença mais gritante entre qualquer outro jogo da série: seu primeiro Pokémon agora te segue durante todo o game. E quando eu digo primeiro, não estou falando de Chikorita. Qualquer um que esteja posicionado na frente de batalha vai andar livre, leve e solto atrás de você, à la Pikachu mala do desenho. É uma bobagem, mas garanto que você vai adorar.



Os personagens marcam bastante. O menino principalmente, já que seu boné tem as cores de Gold/Silver, mas a menina também é muito bem desenhada (só não entendo por que todas as meninas treinadoras precisam ter um chapéu bizarro!). Como de costume desde a geração Ruby/Sapphire, se você escolhe um, o outro se torna um NPC (non-playable character, em linguagem de RPG, um personagem controlado pelo computador que te ajuda às vezes).

O rival agora está mais bem feito, e tem mais cara de mau também, enquanto os líderes de ginásio ganharam uma baita reformulada e estão com um visual bem mais moderno. Os ginásios, por sinal, também são um caso à parte: ganharam um visual incrível, com elementos interativos. O primeiro, por exemplo, de Falkner, o líder voador, tem uma sacada surpreendente e perfeita! Mas é só o começo.

Os mini-games parecem divertidos, e cheiram a multiplayer (que infelizmente não vou poder usar =( ). Todos os modos de batalha anterior do Battle Frontier estão de volta, e novos foram inventados, com variações tímidas e não tão surpreendentes assim. A batalha entre 4 jogadores, ao vivo, por wireless, é a mais bem-vinda delas.

Todos os Pokémon de Kanto e Johto podem ser pegos aqui, relembrando a saudosa época em que era possível completar a pokéagenda tendo apenas um amigo com a versão que é par da sua, sem precisar de comunicação com games de gerações passadas (ok, vamos excluir os 3 pássaros lendários e Mewtwo, e ainda assim não há comparação). Mas agora temos Hoenn e Sinnoh, as duas gerações mais recentes, para estragar essa festa. Mas não é que muitos deles até existem no jogo? Isso graças, principalmente, a uma nova invenção, um golaço da Nintendo, chamado Pokéwalker.

Não ao poké-sedentarismo


O Pokéwalker merecia um post só pra ele. É um aparelhinho com as cores de uma pokébola, para o qual você pode transferir um bichinho de HG/SS. Quem já teve um daqueles bichinhos virtuais que viraram febre em 1997 vai reconhecê-lo rapidamente no idêntico poké-acessório, que nada mais é do que um podômetro, que não poda ninguém, e sim conta os passos dados pelo jogador quando está no seu bolso.

O esquema é o seguinte: você e seu bicho vão, felizes, passear em algum dos cenários escolhidos. A cada 20 passos, você gera 1 Watt, com o qual pode usar os dispositivos existentes no periférico: o Pokéradar e a Dowsing Machine, que gastam uma quantidade de energia.

O Pokéradar é o de sempre: você o usa e aparece um bicho selvagem pra te encarar e ser capturado. Um porém: cada uso gasta 10 W, um gasto absurdo de energia. Precisamos de um Pokéradar que valorize mais a sustentabilidade! Ecológico ou não, ele permite que você batalhe (em um estilo EXTREMAMENTE mais simples que o do game comum – os únicos comandos são atacar, desviar e jogar pokébola) e capture o bicho. Mas cuidado para não ser nocauteado, já que 10 Watts serão perdidos nesse caso.

A grande sacada é a possibilidade de capturar Pokémons que você nunca imaginou que um dia te acompanhariam durante toda a aventura pelas insígnias. Eu, por exemplo, peguei um Kangaskhan, um Smoochum, uma Staryu e um Dratini antes de conquistar sequer uma insígnia no jogo normal, e esses são bichos que tipicamente só aparecem nas partes finais do game.

Já a Dowsing Machine é mais bizarrinha: você gasta 3 Watts para ficar chafurdando umas graminhas à procura de itens – até mesmo TMs podem ser achados nelas. Mas, das 6 graminhas, você só pode fuçar em 2. Caso não ache nada, é Watt perdido à toa.

Você pode – e deve! – carregar o Pokéwalker com você para onde for, assim os Watts surgem com mais facilidade. E, sem uma boa caminhada, nada de Watts, e nada de aproveitar as vantagens do acessório.

Por fim, a bomba: para destravar todas as rotas no Pokéwalker (cada rota contém bichos específicos dela), você também precisará de Watts, e Watts NÃO UTILIZADOS no Pokéradar ou na Dowsing Machine. Quando você transfere os Watts para seu banco de Watts no cartucho, eles nunca mais poderão ser usados, mas se acumulam para destravar novas rotas. A última rota – é hora do susto – é destravada com 100 mil Watts! Ou seja, 2 milhões de passos. Só pra se ter uma idéia, em minha rotina diária, sem carro, ando aproximadamente 8 mil passos atualmente (porque moro perto do trabalho). Conclusão: precisaria de cerca de 250 dias – mais de meio ano! – para que eu destrave todas as rotas. Sim, a Nintendo definitivamente decidiu dar um basta no sedentarismo de seus jogadores! Claro que há maneiras de tapear o Pokéwalker para que ele pense que você está andando, mas são todas tão chatas e cansativas que, no fim, você se rende e põe as canelas pra se mexerem. E haja paciência!

Experiência nova em folha

Pokémon HeartGold/Soulsilver é um par de remakes que soam como novos. Com ótimos gráficos, inovações que pipocam a todo momento e todos os velhos elementos que consagraram os games originais, o novo lançamento da Nintendo está longe de ser mais do mesmo, e tem tudo para agradar a todos. A mim, já agradou bastante. Se eu pudesse, não estaria parado enquanto escrevia esta análise. Mas infelizmente não dá. Então, o melhor que tenho a fazer é ir andando... mesmo!!!



ENREDO – 10
Três anos depois da consagração de Ash (ou Red, como queiram) como grande campeão da liga, um novo moleque decide que ser mais foda ainda, e inicia sua jornada. Não é nada grandioso, mas, pensando em Pokémon, é, até hoje, o melhor enredo da série!

GRÁFICOS – 9
Algumas inovações, como o novo design das escadas dentro de torres e cavernas, superam até mesmo Diamond/Pearl/Platinum. O visual está levemente mais bem cuidados que os recentes games da quarta geração. Temos o direito até a um pouquinho de 3D na abertura! Tá bom, tá bom tá bom... assim, boooooom, num tá, mas tá bom. Estamos precisando mesmo é de um game 3D de verdade. Ouça-nos, Nintendo!

SOM – 6
O que salva aqui são as velhas músicas clássicas de 10 anos atrás, todas com cara de novas em folha. Incrível. Mas os 4 pontos perdidos na nota estão, merecidamente, ligados a um único fato que já foi muito discutido: os grunhidos dos bichos. Toda a tecnologia para se fazer vozes decentes já está completamente disponível, e é muito fácil. Mas os barulhos que eles fazem ainda são OS MESMOS que faziam no avô do DS, nosso querido Game Boy, um fusquinha perto da Ferrari que é o DS. Porra, Nintendo! Faz direito esses sons logo!!!

JOGABILIDADE – 10
A grande inovação aqui fica por conta do novo menu. A barrinha branca lateral com as opções já era. O menu agora é todo “digitalizado” na tela da Pokégear, e você pode acessá-lo tanto com os botões quanto com a caneta Stylus. E, finalmente, não é mais necessário ficar segurando o B o tempo todo pra correr! Há um botão na Pokégear que ativa/desativa a correria, e se mantém fixo, como um Caps Lock nos tênis do personagem. Extremamente bem bolado! Fora o uso da vara de pescar e da bicicleta, que foram simplificados pelo mesmo sistema. O resto é mais do mesmo, o que de forma alguma é ruim.

DESAFIO - 8
Sinceramente, o que aumentou a nota aqui foi o desafio monstruoso que é andar milhares de quilômetros com o Pokéwalker em posse para destravar tudo. Assustador! Com exceção dos líderes de ginásio, que são momentos que sempre valem a pena, as batalhas quase sempre serão ridiculamente fáceis, e algumas poucas, destaque para a Elite 4, que sempre aparece com bichos pelo menos 10 níveis acima dos seus, serão irritantes de tão impossíveis. Ou seja, o de sempre, também. Ponto pro Pokéwalker!

DIVERSÃO
SINGLE PLAYER – 9
O Pokéwalker, mais uma vez, ajuda muito aqui. De resto, nada de diferente. Pokémon definitivamente não é um game pensado pra se jogar sozinho, mas a mágica é que sozinho ele já se garante.
MULTIPLAYER – 9
O fato de precisar de outro DS e outro cartucho pra jogar com alguém é um saco. Mas, de novo, não há novidade aqui. Pelo menos a internet facilitou um pouco esse problema.
REPLAY – 7
Ninguém em sã consciência vai querer deletar todos os monstrinhos bem criados e desenvolvidos para começar um novo jogo. Mas quem tem acesso a outro DS com outro cartucho Pokémon, seja Diamond, Pearl, Platinum, HeartGold ou SoulSilver, para armazenar os bichos, pode se divertir passando por tudo de novo com outros pokés diferentes da primeira aventura, que, por si, já é uma senhora aventura.

NOTA FINAL – 91
Pokémon HeartGold/SoulSilver é um remake extremamente pedido e esperado pelos fãs. E a Nintendo honrou o vovô Game Boy com esta versão de DS que não deixa nada a desejar em relação à primeira, e ainda acrescenta muita coisa. A cereja do bolo, claro, é o Pokéwalker, que mostra que a Big N não está de brincadeira quando afirma que é norteada pela ideia de inovação.



terça-feira, 16 de março de 2010

Em Evidência - Paralisia facial

Esta Em Evidência vai ser mais particular, já que hoje minha paralisia está completando um aninho! Por isso, decidi fazer um “post de serviço”, mas bem enxuto porque o tempo ta curtinho. Não fiz nenhuma pesquisa especial pra este post, mas, um ano atrás, estava desesperado procurando saber tudo sobre a doença, e é a informação de que me lembro que estou compartilhando aqui.

Existem 2 tipos de paralisia facial: a central (que geralmente atinge a face simetricamente) e a periférica (que ocorre apenas em um dos lados – no meu caso, o lado esquerdo). A primeira é, via de regra, resultado de alguma pancada ou derrame, enquanto a segunda é idiopática, ou seja, nem sempre é possível determinar com clareza sua causa. Meu exemplo ilustra bem essa situação: no dia anterior, saí de uma faringite, passei de um ambiente muito frio pra um muito quente e estava bastante estressado por estar procurando emprego. Como as três principais causas da doença são choque térmico, estresse e doença virótica/bacteriana, fica impossível dizer a causa exata, ou até mesmo se foi uma combinação entre elas.

A paralisia facial periférica, ou paralisia de Bell, é um mal que atinge 1 em casa 3.000 pessoas no mundo, aproximadamente. Consiste em um inchaço no nervo facial que, sem espaço, fica comprimido pelo crânio, perdendo a bainha de mielina (responsável pela condução de impulsos nervosos) e, consequentemente, tornando-se afuncional. Como temos um nervo facial para cada lado do rosto, a paralisia de um lado não afeta o outro. A maioria dos casos se resolve em um tempo aproximado de 1 mês, mas os casos mais graves podem durar de 1 a 2 anos. Cerca de 30% dos casos apresentam sequelas da doença após a recuperação.


O primeiro dia é muito complicado. Você acorda percebendo que sua movimentação do rosto está diferente, estranha. Quando se olha no espelho, nota uma leve diferença, pensa que talvez seja um princípio de terçol ou algo parecido. Ao longo do dia, os movimentos vão ficando mais difíceis, até que em algum momento você simplesmente não consegue mais picar o olho e constata a completa paralisia de um dos lados do rosto. Isso foi o que ocorreu comigo, mas há relatos de pessoas que já acordaram completamente paralisadas. Isso pode ocorrer com qualquer um e não há, atualmente, como prever quem está mais ou menos propenso à doença, se é que existe essa diferença.

É impossível não se desesperar nesse momento. Teria eu tido um derrame à noite? Será que vou ficar bem? Será um problema simples, ou um tumor no cérebro? Será que vou precisar de operação? Será que vou morrer? Tudo isso se passa pela cabeça da gente e, em um primeiro momento, você precisa de conforto, de um abraço da sua família, amigos, enfim, de quem você ame realmente. Passado esse momento, você percebe que precisa se informar. Digita, então, a expressão “paralisia facial” entre aspas, no Google (mesmo sem saber que isso realmente é o nome de uma doença). É então que tudo fica claro e que você percebe que precisa procurar um neurologista.

Além da fedorenta (mas inofensiva) vitamina B12, será receitado um corticóide, que te fará engordar uns 10 quilos ou mais. Fisioterapia durante todos os dias é essencial. No início, não há problema, mas depois você vai vendo o trabalho que dá ficar por conta de exercícios diários (inclusive pelo tempo que isso toma). Com o tempo, você vai aprendendo a fazer os exercícios sozinho, o que não é o ideal, mas quebra o galho pra quem não tem tempo ou dinheiro pra manter um tratamento muito longo.

Os primeiros movimentos recuperados são inesquecíveis. É emocionante você ver que, ainda que leve, voltou a ter a capacidade de esboçar um sorriso. Foi, até hoje, um dos momentos mais emocionantes da minha vida.

O problema é que a recuperação dos movimentos, depois de tanto tempo descoordenados, traz com ela algo muito sério chamado sincinesia (sin = junto, cinesia = movimento), ou fenômeno de Marcos Gunn, nome dado ao problema quando acontece isoladamente da paralisia. Ou seja, você vai tentar abrir sua boca, e o olho fecha, você vai tentar mexer a sobrancelha e a boca vai junto, etc. É um problema sério, que precisa ser resolvido, pois é uma das grandes seqüelas deixadas pela doença.


Até o momento, recuperei aproximadamente 70% dos movimentos do rosto que havia perdido, e estou lutando contra a sincinesia. Dizer que acredito que vá ficar sem sequelas, depois de 1 ano, não seria muito sincero, mas gostaria muito de tentar alcançar isso.

O mais importante durante o tratamento de paralisia facial é não deixar isso virar o centro da sua vida. É muito difícil, e, sem dúvida, o doente irá optar por algum tempo de reclusão, que tende a durar enquanto os primeiros movimentos não aparecem. Algo completamente natural do ser humano. Mas, assim que possível, é necessário viver, sair, conhecer pessoas, desligar-se e se sentir uma pessoa normal. Quanto mais se exercita a mente, mais o tempo vai tornando isso algo natural. O equilíbrio psicológico do paciente não é apenas proporcional à sua qualidade de vida, mas também à evolução do tratamento.

Enfim, talvez eu tenha me exposto mais que devia aqui, mas quero que o maior número de pessoas possível esteja prevenido quanto à doença, para que elas não precisem sentir o que eu senti no primeiro dia. Também quero, no fundo, que o máximo de pessoas possível me deseje sorte e mande boas energias, mas sempre sabendo que sou muito grato pelo que conquistei em relação a isso e pela diferença entre meu rosto de 1 ano atrás para o atual. Agradeço a Deus e ao apoio de todos os que me amam e dos que querem meu bem! E rumo ao sucesso, à vida que nos espera! É vida que segue.

domingo, 14 de março de 2010

Sessão Youtube - Improvável

Bom, galera, já estava mais que na hora de eu falar sobre o IMPROVÁVEL (que não é Improváveis!) aqui! Afinal, os caras foram um fenômeno nos últimos 2 anos, e vêm se mantendo até então.

Daniel Nascimento, Elídio Sanna e Anderson Bizzocchi, a Companhia Barbixas de Humor, são os criadores do Improvável e, sem querer querendo, acabaram sendo os grandes impulsionadores da improvisação teatral no Brasil. Influenciados pelo excelente programa gringo Whose Line Is It Anyway?, os Barbixas criaram seu próprio espetáculo de improvisação. Sem grandes pretensões, decidiram gravar vídeos da primeira temporada do espetáculo, em 2008, para divulgação. Hoje, seus vídeos têm mais de 120 milhões de acessos no Youtube, número que já permite afirmar que os atores já fizeram história. História que, aliás, não só atingiu todos os veículos que permitem o gênero – teatro, internet e TV – como também reviveu o teatro nos hábitos de muitos jovens brasileiros.

Na primeira temporada do Improvável, o MC (Mestre de Cerimônias), ou seja, aquele que comandava a trupe em seus jogos, era, na maioria dos espetáculos, Rafinha Bastos. Em 2009, esse papel se alternou bastante, sendo exercido principalmente por Márcio Ballas, Bruno Motta e pelo próprio Daniel Nascimento, entre outros.

Os convidados são um caso à parte. São dois deles por espetáculo, e já passaram pelo Improvável os integrantes do CQC Rafinha Bastos, Oscar Filho e Marco Luque, os atores da peça Jogando no Quintal (também improvisada) Márcio Ballas e Marco Gonçalves e, pra enriquecer os espetáculos com um toque feminino, a humorista Marcela Leal e as integrantes do grupo As Olívias, Cristiane Wersom e Marianna Armellini. Muitos outros também estiveram presentes, e eu teria que gastar muitas linhas aqui citando todos. Jogos como o Troca, o Transforma, o Só Perguntas e o Cenas Improváveis se tornaram clássicos.

O sucesso foi suficiente pra garantir aos Barbixas em 2009 um contrato com a MTV, no programa Quinta Categoria, na companhia de Marcos Mion, excelente apresentador e péssimo improvisador.

Mas, em 2010, chegaram as férias do CQC, da TV Bandeirantes e, com elas, a necessidade de algo para cultivar sua fiel audiência. Qual não foi minha felicidade quando me deparei com o programa É Tudo Improviso, que reunia os Barbixas e seus convidados do Jogando no Quintal e d’As Olívias no mesmo programa de TV, com o mesmo formato do Improvável. Nesta segunda, com a muito bem-vinda volta do CQC, muitos fãs desse pessoal ficarão órfãos do novo programa, eu totalmente incluído. Aguardemos que a Band bata o martelo e inicie logo os preparativos para que os Barbixas e seus companheiros tornem-se membros da grade fixa da emissora.

Apesar da expectativa, é bom deixar claro que nada substitui o Improvável no teatro, que já estou sentindo falta de ir assistir (ano passado, pude prestigiá-lo em Belo Horizonte, com Bruno Motta e Márcio Ballas, e em uma incrível performance com Marcela Leal e Cristiane Wersom em Indaiatuba). Dia 8 de abril de 2010 começa a terceira temporada do espetáculo, no teatro TUCA, em Sampa. Por isso, separei os vídeos mais interessantes que encontrei, sempre com convidados, para que vocês possam conferir e, quem sabe, ficar com vontade de ir ao teatro também. Vale muito a pena! (mais vídeos em www.improvavel.com.br )

Anderson Bizzocchi e Marco Gonçalves – Frases (1ª Temporada. MC: Márcio Ballas)

Muito bom, a performance do Marco é ímpar nesse vídeo.



Elídio Sanna, Márcio Ballas e Rafinha Bastos – Abecedário (1ª Temporada. MC: Daniel Nascimento)

O melhor jogo do abecedário ever! Confiram!



Anderson Bizzocchi, Cristiane Wersom, Daniel Nascimento e Elídio Sanna – Só Perguntas (1ª Temporada. MC: Rafinha Bastos)

Cris detona nesse jogo, em que eles só podem fazer perguntas na feira.



Marianna Armellini, Elídio Sanna e Anderson Bizzocchi – Conto de Fadas Improvável (2ª Temporada. MC: Márcio Ballas).

Rimando, os 3 encenam o conto “A menina que tinha medo do sol.” E é uma biografia de alguém muito famosa!



Anderson Bizzocchi e Cristiane Wersom – 5 contra 2 (2ª Temporada. MC: Márcio Ballas)

O mais recente video publicado, em que Andy e Cris têm que representar 5 personagens na mesma sequência. Os 2 estão hilários!